domingo, 3 de maio de 2015

RUBEM ALVES EM : "INSTANTES"



Se eu pudesse viver novamente a minha vida, na próxima trataria de cometer mais erros. Não tentaria ser tão perfeito. Relaxaria mais. Seria mais tolo ainda do que tenho sido. Na verdade, bem poucas coisas levaria a sério. Seria até menos higiênico. Correria mais riscos, viajaria mais, contemplaria mais entardeceres, subiria mais montanhas, nadaria mais rios. Iria a lugares onde nunca fui, tomaria mais sorvete e menos sopa.

Teria mais problemas reais e menos problemas imaginários. Eu fui uma dessas pessoas que viveu sensata e produtivamente cada minuto de sua vida. Eu era uma dessas pessoas que nunca ia a parte alguma sem um termômetro, uma bolsa de água quente, guarda-chuva e um paraquedas. 

Se voltasse a viver, viajaria mais leve. Se eu pudesse voltar a viver, começaria a andar descalço no começo da primavera e continuaria assim até o fim do outono. Daria mais voltas na minha rua, contemplaria mais amanheceres e brincaria com mais crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.

Mas, já viram, tenho 85 anos e sei que estou morrendo....

Rubem Alves, (meu poeta preferido) em seu Livro : "O médico", Ed. Papirus

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"Encontro inusitado"

Os animais são amigos tão agradáveis: não fazem perguntas, não criticam.

George Eliot


sábado, 2 de maio de 2015

As coisas mais simples sempre estão à nossa espera!!!


Engraçado como andamos distraídos, olhando somente para uma direção. O despertar, é um despertar do tempo, do preparo, do cultivo, da espera, do conhecer-se, do dar-se a chance de... 
Há outras direções, e há milhares de caminhos  diferentes, pessoas interessantes, pessoas dispostas e cheias de propostas, de loucura pela vida, de vontade de estar junto, sem medir, sem medidas, sem pesar o tempo. 
Há pessoas mais simples, menos complicadas que falam nos olhos e que adivinham a nossa alma. 
A vida tem destes mistérios profundos, profanos, insanos, sem sentido e que um dia, sem querer, descobrimos todo o sentido.

Muitas vezes, não percebemos as coisas mais simples e incríveis que sempre estiveram à nossa espera....


Ana Lúcia do Carmo.

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"Corridinho" - Adélia Prado




O amor quer abraçar e não pode.
A multidão em volta,
com seus olhos cediços,
põe caco de vidro no muro
para o amor desistir.

O amor usa o correio,
o correio trapaceia,
a carta não chega,
o amor fica sem saber se é ou não é.


O amor pega o cavalo,
desembarca do trem,
chega na porta cansado
de tanto caminhar a pé.


Fala a palavra açucena,
pede água, bebe café,
dorme na sua presença,
chupa bala de hortelã.


Tudo manha, truque, engenho:
é descuidar, o amor te pega,
te come, te molha todo.


Mas água o amor não é.


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Filme : "Tomates verdes fritos" - 1991



É um filme despretensioso, mas que acaba indo um pouco além do esperado.
O que mais chama a atenção no filme é a questão da amizade, tanto a vivida por Idge e Ruth (Mary Stuart Masterson e Mary-Louise Parker), situação vivida no passado, quanto pela inesperada relação entre Ninny e Evelyn (Jessica Tandy e Kathy Bates) ocorridas no "presente".
Não... vai mais longe: fala sobre verdadeiras amizades, desinteressadas relações entre pessoas diferentes!
É a obra uma inspiração para mulheres satélites (ou homens, quem sabe) , que estão sempre em órbita dos maridos, sem que tenham uma vida própria: sentem um vazio que não sabem explicar, uma vida de "segundo plano" a que são relegadas, sem que percebam o motivo disso: a Subserviência, transmitida de geração em geração.
Traz também - e de forma sutil - nossas prováveis hipocrisias em relação aos nossos relacionamentos, sejam com pessoas ou instituições.
Nos fornece ainda uma indicação para uma verdadeira importância às pequeninas coisas, que mal notamos em nosso dia a dia, além do esquecimento e abandono a que destinamos nossos grandes e verdadeiros tesouros: nossos velhos, pais, mães e mesmo desconhecidos, que, amiúde, são fontes de inesgotável sabedoria, se assim o permitirmos.

Filme : "A cor púrpura" - 1985



Georgia, 1909. Em uma pequena cidade Celie (Whoopi Goldberg), uma jovem com apenas 14 anos que foi violentada pelo pai, se torna mãe de duas crianças. Além de perder a capacidade de procriar, Celie imediatamente é separada dos filhos e da única pessoa no mundo que a ama, sua irmã, e é doada a "Mister" (Danny Glover), que a trata simultaneamente como escrava e companheira. Grande parte da brutalidade de Mister provêm por alimentar uma forte paixão por Shug Avery (Margaret Avery), uma sensual cantora de blues. Celie fica muito solitária e compartilha sua tristeza em cartas (a única forma de manter a sanidade em um mundo onde poucos a ouvem), primeiramente com Deus e depois com a irmã Nettie (Akosua Busia), missionária na África. Mas quando Shug, aliada à forte Sofia (Oprah Winfrey), esposa de Harpo (Willard E. Pugh), filho de Mister, entram na sua vida, Celie revela seu espírito brilhante, ganhando consciência do seu valor e das possibilidades que o mundo lhe oferece.

Filme : "Uma janela para o céu" - 1975



Filme de 1975, com Marilyn Hassett e Beau Bridges. Baseado na história real de Jill Kinmont, passada em 1955, quando a jovem Jill, então com 18 anos de idade, revela-se um enorme talento para o esqui e aposta certa para vencer os Jogos Olímpicos de Inverno de 1956. Mas acontece uma fatalidade: Jill por pouco não perde a vida após uma queda brutal na neve, mas fica paralisada do pescoço para baixo. Ainda que esteja impedida de praticar esportes para sempre, Jill agora tem uma outra batalha: viver e conviver com sua deficiência. Para isso ela vai contar com a ajuda de amigos, dos pais e parentes.

Wabi Sabi : "A arte da imperfeição" : Todas as coisas são incompletas, imperfeitas e impermanentes"; só Deus é perfeito!!



Temos uma ânsia interior pela perfeição. Porém, será que o Universo é assim? As criações que mais nos tocam são perfeitas?
Esse filme é sobe Wabi Sabi uma arte da imperfeição. Faz parte da filosofia japonesa.
Perceber a beleza que se esconde nas frestas do mundo imperfeito é uma Arte. Você conhece aquela história de que os tapetes persas sempre tem um pequeno erro, um minúsculo defeito, apenas para lembrar a quem olha de que só Deus é perfeito? Pois é, a Arte da Imperfeição começa quando a gente reconhece e aceita nossa tola condição humana. Não acredito nessa "tola condição humana", acredito que temos um poder infinito ao nosso dispor, porém que devemos respeitar o ritmo de sua manifestação. E você ? no que acredita? no que quer acreditar?

sexta-feira, 1 de maio de 2015

AQUIETAR A MENTE, FAZER DORMIR OS PENSAMENTOS !!


BUONA NOTTE !!!

Ana Lúcia do Carmo 

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A minha religião é aquilo que vivo com Deus todos os dias, aquilo que vivo com o outro todos os dias.... 
Simples assim..... 



Ana Lúcia do Carmo.

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quinta-feira, 30 de abril de 2015

"PERSEVERAR - COMEÇAR E MANTER O PROJETO"


Walt Disney, criador da Disneylândia, pediu financiamento a cerca de 70 bancos para seu projeto. Um após outro, todos iam recusando o empréstimo. Nenhum gerente de banco apostava num parque de diversões que cobrasse ingresso único. Imagine se Disney fosse de desistir facilmente! Nunca teria obtido o empréstimo. Ou talvez esquecesse depois do décimo "não", ou do vigésimo. Mas ele acreditou e continuou. Quando conseguiu o dinheiro, construiu uma das maiores fortunas do nosso tempo. 

Nelson Mandela permaneceu preso 27 anos em virtude de suas crenças políticas. Por vinte anos ficou em uma solitária. A esse respeito, o filósofo Mario Cortela costuma comentar em suas palestras: "Imagine se depois de 5 anos  alguém não chegou para ele e disse :

- Nelson, 5 anos e você aqui... Deixe de bobagem, assine este documento reconhecendo sua culpa e você será imediatamente libertado.
E Mandela, acreditando em sua missão de tornar a África do Sul uma nação única, mantinha-se irredutível.
-Mandela, 15 anos... Você aqui preso e a vida correndo lá fora... Deixe de ser bobo. Reconheça que você mudou e assine aqui.
E Mandela firme em suas convicções.
- Nelson, 25 anos, um quarto de século! Assine este documento e vá viver sua vida.
E Mandela aferrava-se à sua crença de que negros e brancos podiam viver como um só povo.
Até que ele conquistou a liberdade. Não apenas para sair da prisão mas para se transformar no presidente da África do Sul e liderar o trabalho de unificação do seu povo".

Pergunte às pessoas que você admira se obtiveram sucesso no primeiro projeto. Poucas responderão que sim. Pergunte a elas se já enfrentaram grandes crises. Quase todas responderão afirmativamente. O único remédio para essas situações é "perseverar".

A maioria dos obesos acredita em fórmulas mágicas e em dietas milagrosas. Mas o método que funciona de verdade é a reeducação alimentar, acompanhada de exercícios. Coisa de disciplina e perseverança.

Tudo o que é importante para nós deve ter continuidade. No começo qualquer aprendizado é excitante, depois vem a etapa em que parece que não estamos evoluindo nada. Finalmente, incorporamos o aprendizado. Pode até demorar para a vitória chegar, mas vale a pena!

Roberto Shinyashiki em seu livro; "Os donos do futuro", ed Gente.

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Música : "Eu te amo tanto" - Roberto Carlos



Eu não me acostumo sem seus beijos
E não sei viver sem seus abraços
Aprendi que pouco tempo é muito
Se estou longe dos seus braços
E por isso eu te procuro tanto
E te telefono a toda hora
Pra dizer mais uma vez "te amo"
Como estou dizendo agora

Faço qualquer coisa nessa vida
Pra ficar um pouco do seu lado
Todo mundo diz que não existe
Ninguém mais apaixonado

Meu amor, você é minha vida
Sua vida eu também sei que sou
Cada vez mais juntos
Quem procura por você
Sabe onde estou

Olha, eu te amo tanto e você sabe
Sou capaz de tudo se preciso
Só pra ver brilhar a todo instante
No seu rosto esse sorriso

quarta-feira, 29 de abril de 2015

"Eu me perfumo para intensificar o que sou.
Por isso não posso usar perfumes que me contrariem.
Perfumar-se é uma sabedoria instintiva.
É bom perfumar-se em segredo."


 (Clarice Lispector)

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terça-feira, 28 de abril de 2015

Amor e Perseguição


"As pessoas ficam procurando o amor como solução para todos os seus problemas quando, na realidade, o amor é a recompensa por você ter resolvido os seus problemas". Norman Mailer. Copiem. Decorem. Aprendam. 

Temos a mania de achar que amor é algo que se busca. Buscamos o amor nos bares, buscamos o amor na internet, buscamos o amor na parada de ônibus. Como num jogo de esconde-esconde, procuramos pelo amor que está oculto dentro das boates, nas salas de aula, nas plateias dos teatros. Ele certamente está por ali, você quase pode sentir o seu cheiro, precisa apenas descobri-lo e agarrá-lo o mais rápido possível, pois lhe ensinaram que só o amor constrói, só o amor salva, só o amor traz felicidade. 

Amor não é medicamento. Se você está deprimido, histérico ou ansioso demais, o amor não se aproximará, e, caso o faça, vai frustrar sua expectativa, porque o amor quer ser recebido com saúde e leveza, ele não suporta a idéia de ser ingerido de quatro em quatro horas, como um antibiótico para combater as bactérias da solidão e da falta de auto-estima. 

Você já ouviu muitas vezes alguém dizer: "quando eu menos esperava, quando eu havia desistido de procurar, o amor apareceu". Claro, o amor não é bobo, quer ser bem tratado, por isso escolhe as pessoas que, antes de tudo, tratam bem de si mesmas. 

O amor, ao contrário do que se pensa, não tem que vir antes de tudo: antes de estabilizar a carreira profissional, antes de viajar pelo mundo, de curtir a vida. Ele não é uma garantia de que, a partir do seu surgimento, tudo o mais dará certo. Queremos o amor como pré-requisito para o sucesso nos outros setores, quando, na verdade, o amor espera primeiro você ser feliz para só então surgir diante de você sem máscara e sem fantasia. É esta a condição. É pegar ou largar. 

Para quem acha que isso é chantagem, arrisco sair em defesa do amor: ser feliz é uma exigência razoável e não é tarefa tão complicada. Felizes são aqueles que aprendem a administrar seus conflitos, que aceitam suas oscilações de humor, que dão o melhor de si e não se autoflagelam por causa dos erros que cometem. Felicidade é serenidade. Não tem nada a ver com piscinas, carros e muito menos com príncipes encantados. O amor é o prêmio para quem relaxa.

Martha Medeiros.

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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Mantra : "Namah Shivaya" - Completo

Om Namah Shivaya Om Namah Shivaya 
Hare Hare Bole Namah Shivaya
Rameshwara Shiva Rameshwara Hare Hare Bole Namah Shivaya
Ganga Dhara Shiva Ganga Dhara Hare Hare Bole Namah Shivaya
Jatadhara Shiva Jatadhara Hare Hare Bole Namah Shivaya
Someshwara Shiva Someshwara Hare Hare Bole Namah Shivaya
Vishweshvara Shiva Vishweshvara Hare Hare Bole Namah Shivaya
Koteshwara Shiva Koteshwara Hare Hare Bole Namah Shivaya
Mahakaleshvara Hare Hare Bole Namah Shivaya  

sexta-feira, 24 de abril de 2015

A utilidade pode parecer amor, mas não é...

Há sempre um perigo no amor que tem utilidade. Enquanto o outro exerce uma função na nossa vida, corremos o risco de não experimentar o amor gratuito(...) A utilidade pode parecer amor, mas não é. Amor que se fundamenta na utilidade que o outro tem corre o risco de se transformar em abandono num futuro próximo.


Padre Fábio de Melo
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quinta-feira, 23 de abril de 2015

"Sinfonia de pássaro" - Lindo!!

Sua visão se tornará clara somente quando você olhar para dentro do seu coração. 

"Quem olha para fora, sonha. 
Quem olha para dentro, acorda".
Carl Jung.

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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Reflexões para a vida!!!

"Subamos! / Subamos acima / Subamos além, subamos / Acima do além, subamos!", já dizia o poeta Vinícius de Moraes.


"Pensando em fazer, pensando em fazer, se passaram 20 anos. Não consegui, não consegui, se passaram 20 anos. Ai, por que não fiz?, ai, por que não fiz?, se passaram 20 anos. Assim, se passaram 60 anos. 

Essa é a biografia de uma vida vazia".

(Provérbio Tibetano)



Ana Lúcia do Carmo.

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terça-feira, 21 de abril de 2015

Ó, mundo tão desigual, Tudo é tão desigual
Ó, de um lado este carnaval, Do outro a fome total....


(Trecho da letra da música de Gilberto Gil, A Novidade)


Fiquei pensando nesta parte da música e pensando que as desigualdades foram criadas por nós, fiquei pensando também na passagem da bíblia, poucos são os escolhidos; será?? Pra mim, Deus não escolhe, nem separa este, daquele, nós é que nos escolhemos pra que Deus possa entrar e ficar dentro do nosso coração, das nossas vidas.
Mas a minha reflexão, é diante de tantas pessoas que estão morrendo em alto mar em busca de algo melhor que eles nem sabem o que é, nem onde está; por isto, aceitam ir para qualquer lugar, porque qualquer lugar pode representar tudo, diante do nada que já vivem.
E a gente ainda reclama....

Ana Lúcia do Carmo.

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A indignação e a coragem !!

A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem.

A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las.
 
Santo Agostinho
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segunda-feira, 20 de abril de 2015

O medo paralisa, o amor liberta.



Dom Miguel Ruiz, um xamã mexicano diz que o medo é uma doença que está a tanto tempo guiando nossas vidas que achamos que ele é uma coisa normal.
Uma atitude qualquer, muitas vezes, é melhor do que nenhuma atitude, especialmente se há muito tempo você está paralisado numa situação infeliz. 
Não adianta ficar parado esperando que algo aconteça. Que alguém faça a mudança para você. Uma coisa é ter paciência, outra é ficar na inercia.
Se você tomar uma atitude errada, ao menos você aprenderá alguma coisa, então deixará de ser um erro. Se você não agir, nada aprenderá, nada se transformará, permanecerá estagnado. 

É como fala meu amigo Ernani Fornari: "A vida vai apertando o torniquete" até que a dor se torna insuportável e aí você se vê forçado a agir, mesmo que por instinto. O medo não pode prevalecer sobre o amor. O amor é a sua natureza. O medo paralisa, o amor liberta.
 
Carlos Humberto Soares Junior

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Pessoas devem unir-se não por interesses, mas pelo que cada um é; e sempre por amor. Cuidado com as ferramentas ocultas que fazem com que o outro "precise" e dependa da gente, até mesmo financeiramente, para nos sentirmos amados (a), importantes, e até "maiores" diante dele. Cuidar da própria auto estima, para que isto não aconteça!!
Aprendendo por aí, observando à mim e aos outros também. Isto não é uma verdade absoluta, apenas observações, o que serve para mim, pode não servir para o outro, mas vale a pena nos observarmos dentro de uma relação, seja ela afetiva, profissional, ou até mesmo dentro de uma sociedade comercial.


Ana Lúcia do Carmo.
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domingo, 19 de abril de 2015

“Tem gente que pira e berra, eu já canto, pio e silvo. Se fosse minha essa rua, o pé de ypê tava vivo. Pro topo daquela serra vamos nós dois, vídeo e livros. Vou ficar na minha e sua, isso é mais que bom motivo(...). 
Canto porque é preciso. Porque esta vida é árdua pra não perder o juízo”




Itamar Assumpção

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19 de Abril - Dia do Índio

"Queremos que a floresta permaneça silenciosa, que o céu continue claro, que a escuridão da noite caia realmente e que se possam ver as estrelas. As terras dos brancos estão contaminadas, estão cobertas de uma fumaça-epidemia xawara que se estendeu muito alto no peito do céu. Essa fumaça se dirige para nós, mas ainda não chega lá, pois o espírito celeste Hutukarari a repele ainda, sem descanso. Acima de nossa floresta o céu ainda é claro, pois não faz muito tempo que os brancos se aproximaram de nós. Mas bem mais tarde, quando eu estiver morto, talvez essa fumaça aumente a ponto de estender a escuridão sobre a terra e de apagar o sol. Os brancos nunca pensam nessas coisas que os xamãs conhecem, é por isso que eles não têm medo. Seu pensamento está cheio de esquecimento. Eles continuam a fixá-lo sem descanso em suas mercadorias, como se fossem suas namoradas." 


(Davi Yanomami ; pajé e líder do povo Yanomami)

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sexta-feira, 17 de abril de 2015

DESTRALHAR...




"Destralhar... Você já conhecia este verbo?
Já ouviu falar em toxinas da casa?
objetos que você não usa.
roupas de que você não gosta ou não usa há anos.
coisas feias.
coisas quebradas, lascadas ou rachadas.
velhas cartas, bilhetes.
plantas mortas ou doentes.
recibos/jornais/revistas antigos.
remédios vencidos.
meias velhas, furadas.
sapatos estragados.
Ufa, que peso!

O "destralhamento" é a forma mais rápida de transformar a vida e ajudar as outras eventuais terapias.
Com o destralhamento, a saúde melhora, a criatividade cresce, os relacionamentos se aprimoram.
É comum sentir-se cansado, deprimido, desanimado, em um ambiente cheio de entulho, cheio de tralha, pois "existem fios invisíveis que nos ligam a tudo aquilo que possuímos".

Outros possíveis efeitos do acúmulo e da bagunça:
sentir-se desorganizado, fracassado, limitado e apegado ao passado.
No porão e no sótão, as tralhas viram sobrecarga.
Na entrada, restringem o fluxo da vida.
Empilhadas no chão, nos puxam para baixo.
Acima de nós, são dores de cabeça.
Sob a cama, poluem o sono.

Perguntinhas úteis na hora de destralhar...
1- Por que estou guardando isto?
2- Será que isto tem a ver comigo hoje?
3- O que vou sentir ao liberar isto?

E vá fazendo pilhas separadas...
Para doar!
Para jogar fora!
Para destralhar ainda mais...
livre-se de barulhos
das luzes fortes
das cores berrantes
dos odores químicos
dos revestimentos sintéticos
E também...
libere mágoas
pare de fumar
termine projetos inacabados.

As frutas nascem azedas e vão ficando docinhas com o tempo. A gente deveria de ser assim!
 Destralhar ajuda a adocicar.

Para encerrar... Dê a quem você ama asas para voar, raízes para voltar e motivos para ficar."
 
via Monica H Solti Zorzetto e imagem by Textile Design and Designers Platform.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Ainda há tempo?!


O tempo passa rápido, e a felicidade se torna cada dia mais urgente dentro da gente. O tempo não é mais o mesmo, deixamos muitos sonhos de lado, nos deixamos de lado, perdemos a leveza de antes, deixamos de voar.

A liberdade se torna cada dia mais rara, convivemos com relógios para todos os lados, muros altos e grades. Nosso corpo padece e entra em colapso. Nossa estima mingua, o fígado adoece, os olhos perdem o brilho, o sorriso fica amarelado, forçado, sem graça; não há mais graça! 
Os dias viram uma rotina em preto e branco, um filme que se repete; mesmas atitudes, mesmas palavras, mesmos caminhos, mesmos ares, mesmas emoções, mesmas refeições. 

A alma já não canta, o corpo já não dança, e é quando o ser que mora dentro da gente grita; aquela dor ignorada pelos anos das nossas vidas.

As palavras somem, e o choro é o único desabafo que faz sentido. 

Ainda há tempo ?!

Ana Lúcia do Carmo.

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quarta-feira, 15 de abril de 2015

RUBEM ALVES EM : "O SONHO DOS RATOS"



Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do assoalho de uma casa velha. Havia ratos de todos os tipos: grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, da roça e da cidade.

Mas ninguém ligava para as diferenças, porque todos estavam irmanados em torno de um sonho comum: um queijo enorme, amarelo, cheiroso, bem pertinho dos seus narizes. Comer o queijo seria a suprema felicidade…Bem pertinho é modo de dizer.

Na verdade, o queijo estava imensamente longe porque entre ele e os ratos estava um gato… O gato era malvado, tinha dentes afiados e não dormia nunca. Por vezes fingia dormir. Mas bastava que um ratinho mais corajoso se aventurasse para fora do buraco para que o gato desse um pulo e, era uma vez um ratinho…Os ratos odiavam o gato.

Quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam. O ódio a um inimigo comum os tornava cúmplices de um mesmo desejo: queriam que o gato morresse ou sonhavam com um cachorro…

Como nada pudessem fazer, reuniram-se para conversar. Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe bem para quem), e chegaram mesmo a escrever livros com a crítica filosófica dos gatos. Diziam que um dia chegaria em que os gatos seriam abolidos e todos seriam iguais. “Quando se estabelecer a ditadura dos ratos”, diziam os camundongos, “então todos serão felizes”…

- O queijo é grande o bastante para todos, dizia um.
- Socializaremos o queijo, dizia outro.
Todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções.

Era comovente ver tanta fraternidade. Como seria bonito quando o gato morresse! Sonhavam. Nos seus sonhos comiam o queijo. E quanto mais o comiam, mais ele crescia. Porque esta é uma das propriedades dos queijos sonhados: não diminuem: crescem sempre. E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando: “o queijo, já!”…

Sem que ninguém pudesse explicar como, o fato é que, ao acordarem, numa bela manhã, o gato tinha sumido. O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. Bastaria dar uns poucos passos para fora do buraco. Olharam cuidadosamente ao redor. Aquilo poderia ser um truque do gato. Mas não era.

O gato havia desaparecido mesmo. Chegara o dia glorioso, e dos ratos surgiu um brado retumbante de alegria. Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum. E foi então que a transformação aconteceu.

Bastou a primeira mordida. Compreenderam, repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados. Quando comidos, em vez de crescer, diminuem.
Assim, quanto maior o número dos ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um. Os ratos começaram a olhar uns para os outros como se fossem inimigos. Olharam, cada um para a boca dos outros, para ver quanto queijo haviam comido. E os olhares se enfureceram.

Arreganharam os dentes. Esqueceram-se do gato. Eram seus próprios inimigos. A briga começou. Os mais fortes expulsaram os mais fracos a dentadas. E, ato contínuo, começaram a brigar entre si.

Alguns ameaçaram a chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a ordem. O projeto de socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos:
“Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono”.

Mas como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar esperando. Os ratinhos magros, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que havia acontecido.

O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo. Tinham todo o jeito do gato o olhar malvado, os dentes à mostra.

Os ratos magros nem mais conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora. E compreenderam, então, que não havia diferença alguma. Pois todo rato que fica dono do queijo vira gato. Não é por acidente que os nomes são tão parecidos.

“Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência!”

Rubem Alves, meu poeta preferido. 

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domingo, 12 de abril de 2015

"Basta ter sensibilidade humana"


.....Desamarre as suas fardas. Não faça guerra o tempo todo. Há momentos da vida que merecem simplicidade. Quem sabe assim, você possa descobrir, quando menos imaginar, quando menos tentar compreender, que a amizade é um recurso que nos ajuda a suportar os nossos fardos.....

Há momentos em que nossas águas não são suficientes para irmos adiante. Precisamos de ondas mais caudalosas. É aí que nos tornamos mais simples, menos complicados. No momento em que careço, sou mais verdadeiro. Deixo cair as armas, desamarro as fardas, porque todo soldado, por mais corajoso  que seja ou possa parecer, sempre terá o direito de chorar e de dizer que sente medo.

A quem você tem chorado a sua dor? A quem você tem confessado os seus medos? A ninguém...

.. Você precisa retirar as armaduras. Chore. E que o seu choro não lhe envergonhe, meu amigo. Mas não chore sozinho. Ainda que você ache que o outro não terá inteligência para compreender suas razões, busque por ele. Chore sem explicar. O choro já é uma palavra cheia de significados. O choro dispensa as palavras. Há certos momentos em que um colo aconchegante  vale mais que mil frases inteligentes. O sofrimento é o acontecimento humano que nos coloca todos numa mesma plataforma.
Quando sofremos e choramos somos todos iguais. Sábios e ignorantes, mestres e aprendizes, somos iguais.

Chore no colo de sua mãe. Colo de mãe é sempre seguro. Desaprenda de ser gente grande, ainda que por uns instantes. Volte a ser pequeno. Não continue insistindo neste orgulho. Você está alimentando a sua solidão a pão de ló. Trata-a com requinte porque é vítima da sua própria maldade. Clara tem razão de ir embora. Deve ser insuportável ficar ao lado de quem não precisa de ninguém.

....Alfredo, o bom da vida é a partilha das pequenas coisas. Aprendi isso na minha casa, com minha família, que foi o maior e melhor de todos os livros que já li. Foi lá que aprendi a dividir o que tenho e o que sou. Foi lá que aprendi a ser forte e a ser frágil....

... O amor de que Clara necessitava era simples, meu caro Alfredo. Um chocolate quente em tardes frias, uma conversa ao pé da escada, uma confissão sincera de um sentimento puro, gratuito e que não tem nome. Um carinho sem palavras, uma flor sem motivos.

Mas infelizmente você quis explicar o mundo a Clara através dos livros. Que pena! Você desconsiderou que o elemento mais bonito da vida é o mistério. É ele que alimenta os verdadeiros amores. Você achou que Clara fosse um cadáver passível de ser dissecado. Quis investigar a sua alma tal qual filósofo investiga uma questão filosófica. Quis mensurar tudo como se a pobre menina fosse um problema matemático.

Alfredo, Alfredo, nenhuma mulher gostaria de ser tratada dessa forma. O que faz a paixão prevalecer é a preservação do mistério. Conhecer alguém é antes de tudo respeitar o sacrário que deverá ser inviolável durante toda a vida. Ele é que trará a eterna sensação de novidade. Os amantes se movem assim. Olham, mas não veem tudo.Precisam imaginar. E, enquanto imaginam, experimentam a aventura de amar sem saber o que amam.

Quase uma atitude insana, não lhe parece? Eu sei que sim. Ouso ainda dizer que o que lhe faz sofrer é o fato de não ter tido tempo de dissecar tudo o que queria em Clara. Ela escapou de sua navalha afiada quando você menos esperava. Fugiu do seu controle, rompeu as estruturas do cativeiro. Sentiu que você perderia o seu encanto por ela, porque ela deveria intuir que ninguém ama cadáveres dissecados, sem mistério. Por isso ela fugiu. Eu também fugiria. E você?

Só mais uma coisa eu lhe peço. Não seja tão exigente com aqueles que poderão ser seus amigos. Não é necessário ter cursado faculdade para entender de dores. Basta ter sensibilidade humana.

......Carinhosamente,

Abner.

Trecho do livro "Tempo de Esperas", Padre Fábio de Melo

Postado por integracaoholistica.blogspot.com

..Tempestades de Almas..



Diga-me por favor que horas são para eu saber que estou vivendo nesta hora.

Nada mais tenho a ver com a validez das coisas. Estou liberta ou perdida. Vou-lhes contar um segredo: a vida é mortal. Nós mantemos esse segredo em mutismo, cada um diante de si mesmo porque convém, senão seria tornar cada instante mortal.

Mas se não compreendo o que escrevo a culpa não é minha. Tenho que falar pois falar salva. Mas não tenho uma só palavra a dizer. As palavras já ditas me amordaçaram a boca.

Hoje é dia de muita estrela no céu, pelo menos assim promete esta tarde triste que uma palavra humana salvaria.

Abro bem os olhos, e não adianta: apenas vejo. Mas o segredo, este não vejo nem sinto. O futuro é meu enquanto eu viver. No futuro vai ter mais tempo de viver, e, de cambulhada escrever. Eu não escrevo cartas pra você porque só sei ser íntima. Aliás eu só sei em todas as circunstâncias ser íntima: por isso sou mais uma calada. Tudo o que nunca se fez, far-se-á um dia?

Vejo as flores na jarra: são flores do campo, nascidas sem se plantar, são lindas e amarelas. Mas minha cozinheira disse: mas que flores feias. Só porque é difícil compreender e amar o que é espontâneo e franciscano. Entender o difícil não é vantagem, mas amar o que é fácil de se amar é uma grande subida na escala humana. Quantas mentiras sou obrigada a dar. Mas comigo mesma é que eu queria não ser obrigada a mentir. Senão, o que me resta?

O monstro sagrado morreu: em seu lugar nasceu uma menina que era sozinha. Bem sei que terei de parar, não por causa de falta de palavras, mas porque essas coisas, e sobretudo as que eu só pensei e não escrevi, não se usam publicar em jornais.

Clarice Lispector em;  Tempestade de almas

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