sexta-feira, 27 de abril de 2012

Autoconhecimento e Natureza - Eckart Tolle.

 
Autoconhecimento e Natureza - Eckart Tolle

Dependemos da natureza não só para a nossa sobrevivência física.
Também necessitamos da natureza para que nos ensine o caminho para casa, o caminho para sairmos da prisão de nossas mentes.
Nós nos perdemos no fazer, no pensar, no recordar, no antecipar; estamos perdidos em um complexo labirinto, em um mundo de problemas.
Esquecemos aquilo que as rochas, as plantas e os animais já sabem.
Nos esquecemos de Ser, de sermos nós mesmos, de estar em silêncio, de estar onde está a vida: Aqui e Agora.
Focalizar a atenção em uma pedra, em uma árvore ou em um animal, não significa “pensar neles”, mas simplesmente percebê-los, dar-se conta deles.
Então eles te transmitem algo de sua essência.
Sente quão profundamente descansam no Ser, completamente unificados com o que são e onde estão.
Ao perceber isto, tu também entras em um lugar de profundo repouso dentro de ti mesmo.
Quando caminhares ou descansares na natureza, honra este reino, permanecendo aí plenamente. Acalma-te. Olha. Escuta.
Observa como cada planta e cada animal são completamente eles mesmos.
Diferentemente dos humanos, não estão divididos em dois.
Não vivem por meio de imagens mentais de si mesmos, e por isso não precisam preocupar-se em proteger e potencializar estas imagens.
Todas as coisas naturais, além de estarem unificadas consigo mesmas, estão unificadas com a totalidade.
Não se afastaram da totalidade exigindo uma existência separada: “eu”, o grande criador de conflitos.
Tu não criaste teu corpo, nem és capaz de controlar as funções corporais.
Em teu corpo opera uma inteligência maior que a mente humana.
É a mesma inteligência que sustenta tudo na natureza.
Para aproximar-te ao máximo desta inteligência, torna-te consciente de teu próprio campo energético interno, sente a vida, a presença que anima o organismo.
Quando percebes a natureza apenas com a mente, por meio do pensamento, não podes sentir sua plenitude de vida, seu ser.
Unicamente vês a forma e não estás consciente da vida que a anima, do mistério sagrado.
O pensamento reduz a natureza a um bem de consumo, a um meio para conseguir benefícios, conhecimento, ou a algum outro propósito prático.
Observa, sente um animal, uma flor, uma árvore, e vê como descansam no Ser.
Cada um deles é ele mesmo.
Eles têm uma enorme dignidade, inocência, santidade.
No momento em que olhas além dos rótulos mentais, sentes a dimensão inefável da natureza, que não pode ser compreendida pelo pensamento.
É uma harmonia, uma sacralidade que além de preencher a totalidade da natureza, também está dentro de ti.
O ar que respiras é natural, como o próprio processo de respirar.
Dirige a atenção à tua respiração e percebe que não és tu quem respira.
A respiração é natural.
Conecta-te com a natureza do modo mais íntimo e interno percebendo a tua própria respiração e aprendendo a manter tua atenção nela.
Este é um exercício que cura e energiza consideravelmente.
Produz uma mudança de consciência que te permite ultrapassar o mundo conceitual do pensamento e atingir a consciência incondicionada.
Precisas que a natureza te ensine e te ajude a reconectar-te com teu Ser.
Não estás separado da natureza.
Todos somos parte da Vida Única que se manifesta em incontáveis formas em todo o universo, formas que estão, todas elas, completamente interconectadas.
Quando reconheces a santidade, a beleza, a incrível quietude e dignidade que existem em uma flor ou em uma árvore, acrescentas algo a esta flor ou a esta árvore.
Pensar é uma etapa na evolução da vida.
A natureza existe em uma quietude inocente que é anterior à aparição do pensamento.
Quando os seres humanos se aquietam, vão além do pensamento.
A quietude que está além do pensamento contém uma dimensão maior de conhecimento, de consciência.
A natureza pode levar-te à quietude.
Este é o presente dela para ti.
Quando percebes a natureza e te unes a ela no campo da quietude, este se enche com tua consciência.
Este é o teu presente para a natureza.
Através de ti, a natureza toma consciência de si mesma.
É como se a natureza tivesse ficado à tua espera durante milhões de anos para adquirir esta consciência.

Autoria: Eckhart Tolle.

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A NOSSA IRMÃ BODHISATTVA KWAN YIN

A NOSSA IRMÃ BODHISATTVA KWAN YIN
( Mestre Hsuan Hua )
“ Existe um Bodhisattva Kwan Yin dentro da mente de cada ser vivo. Todos os dias recitamos o nome da Bodhisattva Kwan Yin. Mas, o que significa “Bodhisattva Kwan Shi Yin" ? “ Kwan" significa contemplar, contemplar todos os sons do mundo. Contemplar também significa olhar. Mas isso não significa olhar para as coisas de fora, e sim olhar para as mentes dos seres vivos. É olhar para ver que o ser humano é livre de pensamentos aleatórios. Uma vez que estes pensamentos se foram e que a mente está vazia, é possível se tornar iluminado. Portanto uma linha do verso afirma: “ As pessoas se reuniram a partir das dez direções para estudar o incondicionado.” Todos os bons homens e boas mulheres que vieram nesta cena juntos das dez direções, estão cultivando o Dharma incondicionado. Recitar o nome da Bodhisattva Kwan Yin também é um Dharma incondicionado. “Ser incondicionado" significa “Não há nada a ser feito e nada deixou de se fazer". Este Dharma incondicionado é um método para nos ajudar a livrarmo-nos de pensamentos aleatórios.
Quando você recita “Namo Bodhisattva Kwan Shi Yin", a Bodhisattva Kwan Yin também está atenta à você, e aí há uma mútua consciência. É similar a quando você está pensando em membros da sua família e eles também estão pensando em você. Desde eras ilimitadas no passado a Bodhisattva Kwan Yin e nós todos, somos parentes. Quando foi que isso começou? De qual tempo estou falando ? Estou falando de uma época pertinente ao Buddha Amitabha. Buddha Amitabha é o Senhor da Terra Ocidental da Felicidade Suprema. Ele é o mestre da Bodhisattva Kwan Yin e ela o auxilia a propagar a porta do Dharma da sua Terra Pura. Somos os irmãos do Dharma da Bodhisattva Kwan Yin. A Bodhisattva Kwan Yin é a irmã mais velha de todos os seres vivos que ainda não nasceram na Terra da Bem- Aventurança. Nós, os seres vivos, somos os seus irmãos menores. Se eu explicar dessa forma então nos tornamos parentes mais próximos. Portanto estamos conscientes de nossa irmã e ela também nos conserva em sua mente. Somos os irmãos mais novos da Bodhisattva Kwan Yin e ela é nossa irmã mais velha.
Alguém poderá perguntar: “Como pode ser que a Bodhisattva Kwan Yin seja minha irmã mais velha ? Isso não vai fazer me sentir soberbo ?" Kwan Yin não só nos considera seus irmãos mais novos, como trata a todos os seres vivos de modo semelhante. Por que nós, que desde tempos sem começo, estamos envolvidos em tantos problemas, seríamos ajudados pela Bodhisattva Kwan Yin ? É porque ela reconhece que todos os seres vivos são exatamente o mesmo que suas próprias mãos e pés, sua própria carne e ossos. Esta é a razão pela qual a Bodhisattva Kwan Yin não sente medo de problemas ou dificuldades e vem para resgatar todos os seres vivos que estão sofrendo neste mundo de Samsara. Portanto nenhum de nós deve se esquecer de nossa irmã no Dharma. Quando nós conscientemente recitamos “Namo Bodhisattva Kwan Shi Yin", Kwan Yin também se lembra de nós.
Quando clamamos pela Bodhisattva Kwan Yin, estamos chamando por nossa irmã mais velha. Em seguida a Bodhisattva nos chama, como seus irmãos mais jovens que agora são Bodhisattvas, mas que no futuro serão Buddhas. Se podemos considerar a Bodhisattva Kwan Yin dessa forma, então devemos ser mais devotos em recitar o seu nome. Não devemos perder esta chance. Ao recitarmos o seu nome, não devemos nos colocar abatidos, mas levantando nossas cabeças recitarmos seu nome com corajoso e heróico vigor. Quando a Bodhisattva Kwan Yin ouve nosso clamor, ela diz para nós: “Segure a minha mão" e nos leva na direção da Terra Pura da Bem Aventurança.
Alguém pode estar pensando: “Mas se a Bodhisattva Kwan Yin fica o tempo todo olhando, por que ela olha? E por que eu também não posso olhar da mesma maneira ?" Você deve saber que o seu olhar e o da Bodhisattva Kwan Yin não são o mesmo olhar e ambos não buscam as mesmas coisas. A Bodhisattva Kwan Yin olha o interior e nós olhamos o exterior. Ela olha para a sua natureza, pois tem todos os seres em sua tela de radar. Mas, no entanto, alguns seres vivos estão longe do alcance do olhar dela, tanto que até mil mãos e mil olhos não são suficientes. Por esta razão “ela inverte a luz para refletir seu interior.” Ela se volta para seu próprio interior e vê todos os seres em si mesma, ela escuta a si mesma. Assim ela percebe o sofrimento e a dor que os seres estão vivenciando, e assim vai salvá-los. Por outro lado, você está olhando para o exterior, esquecendo-se completamente de sua sabedoria inerente, por isso o seu olhar e o dela não são o mesmo olhar.
Alguém ainda poderia me indagar: “Mestre, eu não acredito no que você está nos dizendo. Você diz que nós somos irmãos da Bodhisattva Kwan Yin, mas como pode ser assim, pois ela é sábia, enquanto nós somos apenas mortais comuns? Isso é muito ilógico e eu não posso aceitar." Eu respondo: “Ok. Você pode escolher  não crer no que eu estou dizendo. Este é um ponto de vista seu. No entanto, este é um ponto de vista de uma pessoa comum. O fato de que você não penetrou profundamente no tesouro dos Sutras, faz com que sua sabedoria não seja tão profunda."
O Sutra da Guirlanda diz: “O Bodhisattva tem este pensamento: desde os tempos sem começo até o presente, eu e todos os seres vivos somos irmãos. Todos nós tivemos os mesmos pais e as mesmas mães. Fomos irmãos uns dos outros. Fomos maridos e esposas uns dos outros."  Você me disse que não acredita e então eu lhe afirmo que isso ocorre porque você não entende as verdades contidas no Sutra da Guirlanda.

Não é somente o Bodhisattva que vê os seres vivos desta forma. O Buddha também contempla os seres vivos e sabe que no passado, todos os homens foram seus pais e todas as mulheres foram suas mães. Porque o Buddha vê os seres vivos como seus pais e mães, a Bodhisattva Kwan Yin vê os seres vivos como seus irmãos e irmãs. Como poderia este princípio ser irracional ? Você não acredita, simplesmente porque não possui este tipo de sabedoria e conhecimento. Ou talvez seja porque você não tenha experiência suficiente. Daí porque você seja tão ignorante e cético.
Por que Buddha quer resgatar os seres vivos ? Porque ele reconhece que todos os homens e mulheres foram no passado seus pais e mães e agora estão sofrendo nos seis destinos do renascimento. Então ele quer a todo o custo resgatar seus pais fazendo com que eles escapem do sofrimento e alcançem a felicidade.
Todos os dias recitamos o nome da Bodhisattva Kwan Yin, mas quando Kwan Yin aparece diante de nós não a reconhecemos. É por isso que eu digo que nossa condição humana é extremamente lamentável. O que eu quero dizer quando afirmo que não reconhecemos o momento em que a Bodhisattva Kwan Yin aparece diante de nós ? Este é o nosso grande teste. Quando recitamos o nome de Kwan Yin devemos aprender a ser como ela. Kwan Yin possui sublimes votos de grande compaixão, grande bondade e grande força. Quando recitamos o nome dela também devemos aprender a ter seus votos de grande bondade, compaixão e força. Não importa quem nos maltrate, nossa mente deve estar calma. Não importam quantas maldições lancem contra nós, devemos suportá-las. Não importa quem nos bata, devemos suportá-lo. Mesmo que alguém viesse para nos matar, devemos suportar pacientemente e reconhecê-lo como fruto de nosso karma. Por que temos que reconhecê-lo como nosso karma ? Porque se não tivéssemos repreendido os outros no passado, os outros não nos amaldiçoariam agora. Se não tivéssemos atingido outros no passado, eles certamente não nos bateriam agora. Por que alguém iria querer nos atingir e nos matar agora? Porque no passado, quando éramos estúpidos e ignorantes, nós o amaldiçoamos, espancamos e matamos. Do mesmo modo na vida presente, a situação que outrora aconteceu conosco se repete, e nós devemos pagar as dívidas acumuladas no passado. Devemos reconhecer honestamente nossas dívidas de outrora não pagas. Então, uma vez que essas mesmas dívidas são pagas, podemos ver a Bodhisattva Kwan Yin e tê-la como nosso parente mais próximo.
Se recitamos o nome da Bodhisattva Kwan Yin não devemos criticar outras pessoas, conhecidas ou não. Se nós estamos sempre olhando para os defeitos dos outros, isso prova que nosso sofrimento não chegou ao fim. Nós ainda não arrancamos as raízes do sofrimento. Então temos que reconhecer claramente as situações que ocorrem. Temos que entender completamente o Dharma. Pessoas que estudam o Buddhadharma tem que ser capazes de usá-lo. Se não pudermos usá-lo, então não importa quanto tempo nós o cultivemos, o Buddhadharma apenas permanece ele mesmo e nós estaremos simplesmente sendo nós mesmos. Mas se soubermos como usá-lo então nós poderemos nos tornar um com ele, nos tornaremos inseparavelmente unidos com ele.
A paciência é de extrema importância e você tem que aprender a agüentar as coisas que normalmente acha insuportáveis. Por exemplo, talvez você não aceite levar uma bronca, mas se alguém xingar você, fique feliz com isso. Talvez você não queira ser derrotado, mas se alguém bate em você, deves ficar ainda mais feliz com isso. Talvez você não queira morrer, porque a vida é muito preciosa. No entanto, se alguém quiser matá-lo você deve pensar: “ Esta morte pode livrar-me dos obstáculos kármicos da vida. Ele é verdadeiramente meu sábio mestre." Então vocês devem apreciar o Buddhadharma do lado oposto. Para cultivar o caminho só é possível pelo lado oposto. Simplesmente é uma questão de aprender a gostar do que você não gosta. No entanto não deves transferir para as outras pessoas o que você não gosta. Quando estudamos o Budismo não devemos ir à procura de verdades profundas em lugares altos. Existe um ditado: “A mente comum é o caminho; a mente correta é o lugar de cultivo." Devemos ter uma atitude simples ao nos dedicarmos no cultivo do caminho.
Enquanto recitamos o nome da Bodhisattva Kwan Shi Yin não devemos cultivar pensamentos de ganância. Não diga: “ Eu espero que ao recitar o nome da Bodhisattva Kwan Yin eu possa ficar rico.” Isso é impossível. Você pode ficar rico se não tens nenhuma ambição, mas logo você se torna ganancioso ao pensar que não vai obter nenhuma riqueza. Além disso não há necessidade de divulgar para os outros o fato de que você  está recitando o nome da Bodhisattva Kwan Yin e ficar dizendo: “Eu sou melhor que você porque eu participei de uma sessão de conferencias sobre Kwan Yin em tal e tal lugar e você nunca foi, e etc..” Quem recita o nome da Bodhisattva Kwan Yin não abriga tais vãos pensamentos, não almeja fama ou benefícios, e não busca luxo ou prazer. Recite o nome da Bodhisattva Kwan Yin com uma mente comum, não abrigando esperanças ou recompensas. Não seja como as pessoas que recitam o nome de Kwan Yin enquanto pensam: “ Eu não tenho um filho ainda. Espero que Kwan Yin me conceda um filho.” Outras pessoas procuram filhas. Alguns rapazes recitam o nome de Kwan Yin esperando atrair uma bonita namorada. Algumas garotas procuram um namorado. Isso não é correto. Quando recitamos o nome da Bodhisattva Kwan Yin devemos varrer de nossa mente todos os pensamentos inadequados. Devemos nos purificar de pensamentos de ganância, ignorância e raiva. Não devemos prestar atenção se a roupa que vestimos é bonita ou não. Se ela nos protege do frio, já é o suficiente. Não devemos encarar a nossa alimentação diária com gula. Se você cultiva estes pensamentos vãos, então não recita corretamente o nome da Bodhisattva Kwan Yin com uma mente verdadeira. Se você recita o nome de Kwan Yin com uma mente verdadeira, então como poderia se preocupar com belas roupas ou comida saborosa ? Você deveria ter se esquecido disso há muito tempo. A única maneira de se tornar uno com a Bodhisattva Kwan Yin é esquecer tudo isso.
Há um Bodhisattva Kwan Yin dentro da mente de cada ser vivo. Enquanto recitamos e lembramos a Bodhisattva Kwan Yin, nós estamos apenas relembrando o Bodhisattva Kwan Yin dentro de nossas mentes. Alguém pode dizer: “ Eu estou olhando para dentro de minha mente, mas não posso encontrá-la. Por quê?" Se você realmente não possui uma mente, então não precisa recitar o nome da Bodhisattva Kwan Yin porque ela não tem uma mente. Ela não se entrega a todos os pensamentos ociosos e está totalmente livre de cobiça, ódio e ignorância. Ela não tem necessidade e nem procura absolutamente nada. O que ela faz é resgatar os seres vivos. Ela quer que todos os seres vivos se livrem do sofrimento e alcancem a benção final de seu renascimento junto ao Buddha. O Buddha unicamente deseja que todos os seres vivos compreendam verdadeiramente o Dharma e sejam livres de toda a dor."
 
Fonte: Blogspot Lotus Branco de Kuan Yin
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quinta-feira, 26 de abril de 2012

O poder do toque

Até há pouco tempo, gestos como um afago ou um tapinha nas costas eram ignorados pela ciência. Hoje em dia, porém, são vistos de forma diferente: além de importantes ferramentas de expressão emocional, eles trazem benefícios comprovados para a saúde física e mental


Por Eduardo Araia

Foto: Shutterstock
“ Tocar pode significar dar vida”, dizia o mestre renascentista Michelangelo Buonarroti. Na célebre pintura do artista italiano, no teto da Capela Cistina, no Vaticano, A Criação de Adão, Deus insufla vida ao primeiro homem tocando seu dedo indicador. Para os cientistas, entretanto, o toque nunca havia despertado muito interesse. Um tapinha nas costas ou uma carícia no braço são, em geral, colocados na relação de gestos incidentais como franzir a testa ou apoiar o queixo na mão. Na verdade, não são.
Estudos recentes demonstram que o toque é muito mais importante do que se imagina. Ele é fundamental, por exemplo, na comunicação humana, no estreitamento de relações e na saúde. “(O toque) é a primeira linguagem que aprendemos e nosso mais rico meio de expressão emocional através da vida”, diz o norte-americano Dacher Keltner, professor de psicologia da Universidade da Califórnia, Berkeley, um dos mais renomados pesquisadores da área.
O antigo menosprezo em relação ao toque provavelmente tem raízes no modo como cada cultura o vê. Os primatas passam entre 10% e 20% de seu tempo de vigília afagando a pele ou os pelos de outros membros de sua comunidade, porque o exercício é um meio importante para construírem relacionamentos de cooperação. Entre os parentes humanos, porém, esses índices são bem mais variáveis. Norte-americanos e ingleses, por exemplo, quase não se tocam, enquanto povos de origem latina, como brasileiros e italianos, tocam-se muito.
Nos anos 1960, o psicólogo canadense Sidney Jourard já salientava essas diferenças ao estudar conversas entre amigos de várias partes do mundo.
Animais lambidos e acariciados pelas mães, na infância, se mostram mais calmos e resilientes diante de fatores de estresse na fase adulta, além de exibirem um sistema imunológico mais forte
Os ingleses que ele observou, por exemplo, não se tocaram nenhuma vez; os norte-americanos, duas. Já os franceses tocaram um ao outro 110 vezes por hora e os porto-riquenhos, 180 vezes por hora. Em inglês, a recorrente expressão “don’t touch me” (não me toque) é considerada um indicador do caráter reservado dos anglo-saxônicos.

Não tocar o outro ou tocá-lo pouco não impede, é claro, as sociedades de atingirem um estágio adiantado de desenvolvimento, como a inglesa e a norte-americana são exemplos. Mas a ciência moderna mostra que o toque é muito benéfico – algo observável já no início da vida. Segundo um estudo da médica norte-americana Tiffany Field, diretora do Instituto de Pesquisas do Toque da Universidade de Miami, bebês prematuros que receberam três sessões diárias de 15 minutos de massagem terapêutica (o processo pelo qual vários tipos de toques e carícias são aplicados no corpo para melhorar a saúde e aumentar o bemestar), por um período de cinco a dez dias, ganharam 47% de peso a mais do que aqueles cujo tratamento seguiu o roteiro tradicional.
Toque divino: detalhe de A Criação de Adão, pintura de Michelangelo no teto da Capela Sistina, no Vaticano, em Roma.
Uma pesquisa com ratos, feita pela psicóloga norte-americana Darlene Francis e pelo psiquiatra canadense Michael Meaney, revela que os animais muito lambidos e acariciados pelas mães, na infância, se mostram mais calmos e resilientes diante de fatores de estresse na fase adulta, além de exibirem um sistema imunológico mais forte.
Segundo Keltner, é bem possível que esteja aí a explicação de por que os bebês humanos deixados em orfanatos e privados de contato físico não atingem as medidas esperadas de altura e peso e apresentam problemas comportamentais ao longo da vida. “Contato físico insuficiente durante o crescimento pode estar relacionado ao risco de depressão em idade adulta”, reforça o neurocientista inglês Francis McGlone.
O poder calmante do toque foi documentado num estudo com mulheres conduzido pelos neurocientistas norteamericanos James Coan, Richard Davidson e Hillary Schaefer, da Universidade da Virgínia. As participantes foram colocadas num aparelho de ressonância magnética funcional e, avisadas de que ouviriam uma explosão seguida de “ruído branco” (tipo de barulho produzido pela combinação simultânea de sons de todas as frequências), apresentaram uma atividade intensa nas áreas do cérebro relacionadas a ameaça e estresse. Nada disso aconteceu, entretanto, com as participantes cuja mão era segurada por seu parceiro. O toque parece ter desativado a reação de medo nessas voluntárias.
As massagens feitas entre os membros de um casal podem render ainda mais dividendos, segundo estudos de Tif fany Field. Além da redução da dor, as vantagens incluem o alívio da depressão e o fortalecimento dos laços afetivos.
Uma pesquisa da Universidade da Califórnia, Berkeley, conduzida pelo nor te-americano Matt Her tenstein (hoje professor de psicologia na DePauw University) e com a participação de Keltner, investigou se os humanos podiam comunicar claramente emoções, como a compaixão, por meio do toque. Os pesquisadores montaram no laboratório uma divisória que separava dois voluntários, um desconhecido do outro. Enquanto um deles punha seu braço num espaço específico aberto na divisória, e aguardava, a pessoa do outro lado recebia uma lista de emoções, que devia transmitir uma a uma por meio de um toque de um segundo no antebraço do parceiro.
Segundo Keltner, dado o número de emoções em exame, as probabilidades de adivinhar a alternativa certa pelo acaso eram de cerca de 8%. “Mas, notavelmente, os participantes adivinharam a compaixão corretamente, cerca de 60% do tempo”, disse. Gratidão, raiva, amor e medo também tiveram índices de acerto acima dos 50%. Percebeu-se ainda que as pessoas não apenas identificam a gratidão, a compaixão e o amor transmitidos pelo toque como podem também diferenciar os tipos de toque usados com essa finalidade.
“Costumávamos pensar que o toque servia apenas para intensificar as emoções comunicadas”, afirmou Hertenstein. “Agora, nós o vemos como um sistema de sinalização muito mais diferenciado do que havíamos imaginado.” Esse e outros estudos levaram Keltner a concluir que o toque é uma linguagem primordial da compaixão e uma ferramenta básica para disseminá-la.
Toques solidários com as mãos, abraços e peitadas são frequentes entre os campeões de basquete do Los Angeles Lakers.
O toque tem um potencial, na saúde, que vai muito além do simples relaxamento. Só recentemente se começou a dedicar mais atenção a essa área. Já se sabe que um toque carinhoso básico acalma o estresse cardiovascular e ativa o nervo vago, diretamente ligado à resposta compassiva da pessoa. Tocar pacientes com a doença de Alzheimer lhes dá grandes benefícios em termos de relaxamento, redução da depressão e estabelecimento de conexões emocionais com outras pessoas.
De acordo com Tiffany, a massagem terapêutica reduz o cortisol, hormônio ligado ao estresse, e aumenta a produção de dois neurotransmissores, a dopamina (que estimula a atividade do sistema nervoso central) e a serotonina (responsável, entre outras funções, pela liberação de diversos hormônios e associada ao estado de felicidade).
No Instituto de Pesquisas do Toque, Tiffany tem feito diversas experiências de massagem terapêutica em pacientes com os mais variados problemas de saúde. “Não há uma única condição que tenhamos observado – incluindo o câncer – que não tenha respondido positivamente à massagem”, afirma. Nos estudos ela constatou que a massagem terapêutica alivia problemas autoimunes (amplia a função pulmonar em casos de asma e reduz os níveis de glicose na diabete) e aumenta a função imune (por exemplo, eleva o número de células de defesa em pessoas com HIV ou com câncer). Ela descobriu ainda que crianças autistas (as quais, segundo se acreditava, detestam ser tocadas) adoram ser massageadas pelos pais ou por um terapeuta.
O toque também ajuda a deixar as pessoas mais alertas e melhora seu desempenho. Um estudo da Universidade da Califórnia, Berkeley, publicado em 2010 na revista Emotion, avaliou se há uma relação entre as vitórias dos times da National Basketball Association (NBA, a liga norte-americana de basquete) e os toques entre jogadores.
Os pesquisadores descobriram que dois dos times de melhor rendimento – o Boston Celtics e o Los Angeles Lakers – eram os líderes em toques entre jogadores (foram considerados toques o bater de mãos espalmadas, os abraços e as peitadas). Já as duas equipes nas quais os jogadores menos se tocavam, o Sacramento Kings e o Charlotte Bobcats, tiveram desempenho medíocre.
A educação é outra área que pode se beneficiar do toque. Em um estudo do psicólogo francês Nicolas Gueguen, abordado em artigo publicado na revista Journal of Social Psychology, estudantes tocados no antebraço pelo professor evoluíram em termos de comportamento e produtividade, na comparação com os colegas não tocados. Gueguen verificou ainda que, quando os professores dão tapinhas amigáveis em alunos, estes ficam três vezes mais propensos a participar ativamente da aula.
Para Dacher Keltner, as pesquisas confirmam que existe uma conexão com um nível físico básico que deve ser exercitada. A princípio, ela não tem contraindicações e sua crescente lista de vantagens é cada vez mais lastreada em dados científicos, sem subjetivismos psicológicos. Quando alguém afirma a Tiffany Field que a massagem que ela e sua equipe aplicam é bemsucedida porque “faz a pessoa se sentir bem”, a médica não deixa por menos: “Ora! A massagem funciona porque muda toda a sua fisiologia.”
“Não há uma única condição de saúde que tenhamos observado – incluindo o câncer – que não tenha respondido positivamente à massagem”, afirma a médica Tiffany Field, da Universidade de Miami.
A rota orgânica do toque
O neurocientista inglês Francis McGlone, da área de pesquisa e desenvolvimento da multinacional Unilever, e uma equipe da Universidade de Gotemburgo (Suécia) descobriram, em 2008, uma fibra nervosa, a fibra-C, que responde pela sensação de prazer originária de um toque agradável. Uma vez ativada, essa fibra leva a sensação ao córtex órbito-frontal (a área do cérebro que regula as emoções e está relacionada aos sistemas de recompensa e compaixão), o que causa a liberação de hormônios ligados ao bem-estar.
Entre eles está a oxitocina, o “hormônio do amor”, que, além de influenciar no estabelecimento e na manutenção de relacionamentos, estimula a confiança e reduz os níveis do cortisol, o hormônio do estresse.
McGlone ressalta que as fibras-C não têm relação com o prazer experimentado ao se friccionar órgãos sexuais, nem com as palmas das mãos ou as solas dos pés. Segundo o neurocientista, a fórmula perfeita para um toque carinhoso é fazê-lo numa extensão entre quatro e cinco centímetros de comprimento por segundo, aplicando dois gramas de pressão por centímetro quadrado.
McGlone salienta ainda que as mensagens de prazer originárias do toque seguem da pele para o cérebro por fibras nervosas similares às que enviam a sensação de dor – o que explicaria, por exemplo, por que um estímulo de dor é aliviado quando a região em que surge é imediatamente massageada ou acariciada. 

Texto: eduardoaraia@planetanaweb.com.br

Os Três Refúgios

Os Três Refúgios
 
Aquele que está desperto, que sabe, que compreende, é chamado de Buda. Ele existe em todos nós. Podemos nos tornar despertos, compreensivos e também amorosos. Eu sempre digo às crianças que se os pais delas são compreensivos e amorosos, trabalhando, tomando conta da família, sorrindo, sendo amáveis como uma flor, elas podem dizer: Mamãe e papai, vocês hoje são Budas plenos.

Há 2.500 anos atrás existiu uma pessoa que praticou isso de tal forma que seu entendimento e amor tornaram-se perfeitos, e todos no mundo reconheceram isso. Seu nome era Siddhartha. Era muito jovem ainda, quando começou a ver que a vida contém muito sofrimento; que as pessoas não amam umas às outras; não se compreendem suficientemente. Deixou então o seu lar e foi para a floresta praticar meditação, respiração e sorriso. Ele se tomou monge tentou praticar, a fim de desenvolver seu despertar, sua compreensão e amor ao mais alto nível.

Praticou meditação sentada e andando por vários anos, juntamente com mais cinco amigos que também eram monges. Embora fossem inteligentes, cometeram erros. Por exemplo, eles comiam somente uma fruta - manga, goiaba ou carambola - por dia. As pessoas às vezes exageram dizendo que Siddhartha comia apenas um grão de gergelim por dia. Eu estive na Índia, na floresta em que ele praticava, e sei que isso é bobagem; pois lá não há gergelim. Estive também no rio Anoma, onde ele se banhou várias vezes, e também na árvore Bodhi, sob a qual ele se sentou e se tomou um Buda. A árvore Bodhi que eu vi é a tataraneta da primeira árvore Bodhi. (...)

Quando dizemos: Eu me refugio em Buda, deveríamos entender também o Buda se refugia em mim; porque sem a segunda parte, a primeira não é completa. Buda necessita de nós para que o despertar, o amor e a compreensão possam se tornar reais e não meros conceitos. Essas coisas devem ter efeitos concretos na vida. Sempre que eu digo: Eu me refugio em Buda, ouço: Buda se refugia em mim. Esta é uma poesia para quando se plantar uma árvore ou qualquer outra planta:

Eu me confio à terra,
A terra se confia a mim.
Eu me confio ao Buda
O Buda se confia a mim.

Eu me confio à terra. É como: Eu me refugio no Buda (Eu me identifico com as plantas). A planta vive ou morre em função da terra. A planta se refugia na terra, no solo. E a terra se confia a mim, porque cada folha que cal e se decompõe torna o solo mais rico. Nós sabemos que a camada mais rica e bonita do solo é formada pela vegetação. Nossa Terra é verde e bela por causa da vegetação.

Assim, da mesma forma que o verde precisa da Terra, a Terra precisa da vegetação para expressar-se como um planeta belo. Assim, quando dizemos Eu me confio à terra, eu, que sou planta, devo ouvir também a outra versão: a terra se confia a mim. Eu me confio ao Buda, o Buda se confia a mim. Isso torna bem claro que a sabedoria, a compreensão e o amor de Shakyamuni Buda precisam de nós para se tornarem outra vez realidade. Assim, nossa tarefa é muito importante: realizar o estado desperto, realizar a compaixão, realizar o entendimento. Todos nós somos Budas, porque só através de nós é que a compreensão e o amor se tomam tangíveis e efetivos.

Thich Thanh Van foi morto durante seu empenho em ajudar os outros. Ele foi um bom budista, um bom Buda, porque foi capaz de ajudar dezenas de milhares de pessoas vítimas da guerra. Através dele o despertar, a compreensão e o amor se tomaram reais. Podemos, pois, chamá-lo de buddhakaya, o que em sânscrito significa corpo de Buda. Para o budismo ser real é necessário que haja um buddhakaya, ou seja, uma personificação da atividade desperta. De outra forma o budismo é apenas uma palavra. Thich Thanh Van era buddhakaya. Shakyamuni Buda era um buddhakaya. Ao realizar o ato de despertar, compreender e amar, cada um de nós é buddhakaya.

A segunda jóia é o Dharma, isto é, o que Buda ensinou. É o caminho da compreensão e amor - como entender, como amar, como transformar essas coisas numa realidade. Antes de morrer, Buda disse aos seus discípulos: - Meus caros, meu corpo físico não estará mais aqui amanhã, mas o corpo do meu ensinamento estará sempre aqui para ajudá-los. Considerem-no como seu mestre, um mestre que jamais se separa de vocês.

Esse foi o nascimento do dharmakaya. O Dharma tem um corpo, o corpo dos ensinamentos ou o corpo do caminho. Como você pode ver o significado de dharmakaya é muito simples, embora as pessoas o tenham tornado complicado. Dharmakaya significa apenas os ensinamentos de Buda, a forma de realizar a compreensão e o amor. Mais tarde tornou-se uma espécie de fundamento ontológico do ser.

Qualquer coisa pode ajudar a despertar sua natureza búdica. Quando estou só e algum pássaro me chama, retorno a mim mesmo, respiro e sorrio e, às vezes, ele volta a me chamar. Então sorrio e respondo: - Já estou ouvindo-o. Não só os sons como também as paisagens podem relembrá-los de retornarem a si mesmos. Ao abrir a janela de manhã e ver a luz inundar o ambiente, você pode reconhecer isso como a voz do Dharma, e isso se torna parte do dharmakaya.

Essa é a razão por que as pessoas despertas vêem a manifestação do Dharma em todas as coisas. Num seixo, num bambu, no choro de uma criança, qualquer coisa pode ser a voz do Dharma chamando. Nós devíamos ser capazes de praticar dessa forma.

Certa vez um monge se dirigiu a Tue Trung, o mais Ilustre professor de budismo no Vietnã no século XIII, tempo em que o budismo florescia no país: - O que é dharmakaya puro, imaculado? - perguntou o monge. E Tue Trung apontou-lhe o excremento de um cavalo. Essa foi uma abordagem irreverente do dharmakaya, porque as pessoas estavam usando a palavra imaculado para descrevê-lo. Você não pode usar palavras para descrever o dharmakaya. Mesmo que se diga que é imaculado, puro, Isso não significa que ele seja separado das coisas que são impuras. A realidade última está além dos adjetivos puro e impuro. De modo que sua resposta foi para sacudir a mente do monge, para fazê-lo desvencilhar-se de todos os adjetivos e assim poder enxergar a natureza do dharmakaya.

Um mestre também é parte do dharmakaya, porque ele nos ajuda a despertar. Sua aparência, sua forma de viver o dia-a-dia, sua forma de lidar com as pessoas animais, plantas, nos ajudam a atingir o entendimento e o amor em nossa vida. Existem muitas formas de ensinar: por livros, por palavras, por fitas gravadas. Eu tenho um amigo que é mestre Zen no Vietnã; é muito conhecido, mas não são muitas pessoas que podem estudar com ele. Por isso, fazem gravações de suas palestras e ele passou a ser conhecido como o monge K-7.

Mesmo que não ensine, simplesmente sendo ele nos ajuda a despertar, porque ele é parte do dharmakaya. Este não é expresso só por palavras, por sons. Pode expressar-se simplesmente sendo. Às vezes ajudamos mais quando não fazemos nada do que quando fazemos muito. Chamamos isso de não-ação. É como a pessoa calma no barco em meio à tempestade. Essa pessoa não precisa fazer muito, basta ser como é, e a situação muda. Esse é também um dos aspectos do dharmakaya: sem falar, sem ensinar; apenas sendo.

Essa verdade concerne não somente aos seres humanos, mas também a outras espécies. Olhe para as árvores do pátio. Um carvalho é um carvalho. Isso é tudo o que ele tem a fazer. Agora, se o carvalho é menos que um carvalho, então todos nós estamos em dificuldades. Portanto, o carvalho está pregando o Dharma. Sem fazer nada sem servir na Escola da Juventude para Serviços Sociais, sem pregar, sem mesmo sentar em meditação; o carvalho nos é muito útil, simplesmente por existir. Toda vez que olhamos para um carvalho, ganhamos confiança. Durante o verão sentamos sob ele e nos refrescamos nos sentimos relaxados. Sabemos que se o carvalho e as outras árvores não existissem, não teríamos ar bom para respirar.

Sabemos também que em nossas vidas anteriores fomos árvores. Pode ser mesmo que tenhamos sido um carvalho. Isso não é só budismo, isso é científico. O ser humano é uma espécie muito nova, nós aparecemos na terra só recentemente. Antes disso éramos rocha, gás minerais e depois seres unicelulares. Agora nos tornamos seres humanos. Temos que nos relembrar de nossas existências passadas. Isso não é difícil. Apenas sente, respire e observe; e você poderá ver suas existências passadas. O carvalho não sofre quando o xingamos. Quando o elogiamos tampouco levanta o nariz. Podemos aprender o Dharma com o carvalho; portanto, ele é parte do nosso dharmakaya. Podemos aprender de tudo o que existe em todos e dentro de nós. Mesmo que não estejamos num centro de meditação, podemos praticar em casa, porque o Dharma está presente em torno de nós. Tudo prega o Dharma. Cada seixo, cada folha, cada flor está pregando o Sadharma Pundarika Sutra.

Sangha é a comunidade que vive consciente e em harmonia. Sanghakaya é um novo termo em sânscrito. A sangha também precisa de um corpo. Quando você está com sua família e pratica respiração e sorriso, reconhecendo o corpo de Buda em você e em seus filhos então sua família se toma uma sangha. Se você tiver um sino em seu lar este se toma parte de seu sanghakaya, porque o sino ajuda-o a praticar: Se você tiver um zafu, este também torna-se parte do sanghakaya.

Muitas coisas podem nos ajudar a praticar. O ar para respirar. Se tiver um parque ou um rio perto de sua casa, sorte sua: porque você pode aproveitar para praticar meditação andando. Você mesmo tem que descobrir seu sanghakaya, convidando um amigo, para praticar com você na meditação do chá; ou sentando com você ou acompanhando-o na meditação andando. Todos esses esforços são para estabelecer seu sanghakaya em casa. É mais fácil praticar quando se tem um sanghakaya.

Antes de ter se tornado Buda, Siddhartha foi deixado pelos cinco monges que o acompanhavam, quando começou a tomar leite. Assim, ele fez da árvore Bodhi seu sanghakaya. Fez do menino- dos-búfalos, da leiteira do rio, das árvores, seu sanghakaya. Existem no Vietnã pessoas que vivem em campos de reeducação. Elas não têm uma sangha; não têm um centro Zen. Mas praticam. Elas têm que olhar outras coisas como parte de seu sanghakaya. Conheço pessoas que praticam meditação andando dentro de suas celas na prisão. Elas me contaram isso depois de terem sido libertadas. Portanto, nós que temos a sorte de poder contar com tantas coisas para estabelecer nosso sanghakaya não devemos deixar de fazê-lo. Um amigo, nossos filhos, nosso próprio irmão ou irmã, nosso lar, as árvores do nosso pátio, tudo isso pode ser parte do nosso sanghakaya.

A prática do budismo, a prática da meditação é para a pessoa se tornar serena, compreensiva e amorosa. Desta forma trabalhamos pela paz de nossa família, de nossa sociedade. Se olharmos mais de perto, veremos que as três jóias são, na verdade, uma. Em cada uma delas as outras duas estão presentes.

Em Buda existe o estado búdico, existe o corpo de Buda. Em Buda existe o corpo do dharma, porque sem este ele não poderia se tornar Buda. Em Buda está o corpo da sangha, porque ele fez seu desjejum junto à árvore Bodhi, a outras árvores e pássaros da região. Num centro de meditação temos um corpo de sangha, sanghakaya, porque ali é praticada a compreensão, a compaixão. Assim, o corpo do Dharma, o caminho e os ensinamentos estão presentes. Mas os ensinamentos não podem tornar-se uma realidade sem a nossa vida e corpo. De forma que buddhakaya também está presente. Se Buda e Dharma não estiverem presentes, não existe sangha.

Sem você, Buda não é uma realidade, mas apenas uma idéia. Sem você, o Dharma não pode ser praticado. Precisa ter alguém para poder ser praticado. A sangha não pode existir sem cada um de vocês. Por isso, quando dizemos:

            Eu me refugio em Buda, ouvimos também: Buda se refugia em mim.
            Eu me refugio no Dharma. O Dharma se refugia em mim.
            Eu me refugio na sangha; a sangha se refugia em mim.

(Do livro “Caminhos para a paz interior” – Thich Nhat Hanh)
Sangha Virtual  Estudos Budistas
Tradição do Ven. Thich Nhat Hanh

MÚSICA : " MERLIN´S MAGIC - REIKI LIGTH TOUCH


REIKI

Reiki-Símbolos Sagrados


DEFINIÇÃO BUDISTA TIBETANA DOS SÍMBOLOS
Os cinco símbolos do Reiki correspondem aos cinco níveis da mente. Juntos, eles eliminam a dualidade mente-matéria, desintegrando o ego para alcançar os níveis mais altos ao final do Caminho da Iluminação (Nirvana Budista). Uma vez alcançado esse estado, o ser não tem mais a necessidade da reencarnação.O uso original dos símbolos não foi para a cura (material), mas para Iluminação da ajuda ao próximo – os cinco níveis de sabedoria que culminam na Iluminação.
Cho-Ku-Rei: Início ou entrada, estágio de geração. Colocação da mandala no coração. Meditação até que não haja diferença entre mente e o mundo. Vazio, desprendimento do plano terrestre. O primeiro passo, a primeira experiência. (Definição dada pelo Reiki: o interruptor de luz.)
Sei-He-Ki: A Terra e a pessoa encarnada são consideradas territórios impuros. O território impuro (amarelo) é purificado pela sabedoria do ouro. Purificação, transmutação, mudança alquímica de matéria impura para ouro (pureza). Essa é a Iluminação que poucos atingem (estado de Buda) pela compreensão e esvaziamento do ego. Purificação pelo fogo da sabedoria em ouro ou pureza. (Definição dada pelo Reiki: cura emocional, purificação, limpeza, proteção).
Hon-Sha-Ze-Sho-Nen: Sem passado, sem presente ou futuro. Libertação da ilusão e do karma (karma definido como a criação da mente). A mente cria o tempo, limitação de espaço e ilusão. A iluminação é ir além da mente ao estado de Buda (Deus ou Deusa dentro de si) em todos nós. Quando a mente está alerta, existe abertura e desprendimento: liberdade de tempo, espaço, ilusão, limitação. Dissolução de limitação significa compreensão das coisas. (Definição dada pelo Reiki: cura do passado, do presente, do futuro; cura do karma, cura a distância).
Daí-Ko-Myo: “A pessoa com o coração Mahayana de doação” ou “Templo da luz branca”. A pessoa que deseja a Iluminação alheia há de alcançá-la. Ela entende que a base de compreensão de todas as coisas é uma grande unificação (união, consciência em Deus/Deusa). Quando ela se ilumina, liberta-se da reencarnação e do sofrimento. No Budismo, essa é a única cura real. (Definição dada pelo Reiki: cura da alma ou espírito).
Raku: Concluir/completar, alcance do nirvana inferior, esvaziamento do ego, aparição da imagem de Buda;Deus/Deusa Interior. Liberdade, iluminação, paz total. Libertação da ilusão do mundo material, libertação do corpo e da reencarnação, cura total. No Budismo, esse símbolo é usado dos pés até o chakra da coroa para afastar um espírito, entidade ou ser de um corpo. No Reiki, é usado do chakra da coroa aos pés para absorver a energia do Universo para o corpo/ser. (Intenções opostas e significado: Reiki é o uso material dos símbolos, Iluminação é o uso espiritual budista. O pensamento budista considera o corpo e sua cura irrelevantes.) (Definição dada pelo Reiki: o raio de luz, conclusão, integração.)
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O Significado e o Uso de uma Mandala

A palavra tibetana para “mandala”, dkyil-‘khor, significa literalmente “aquilo que circunda um centro.” Um “centro” é, aqui, um significado e “aquilo que o circunda” - mandala - é um símbolo redondo que representa o significado. No entanto, nem todas as mandalas são redondas.
Há muitos tipos de mandalas, usadas para várias finalidades nas práticas budistas do sutra e do tantra. Vamos agora examinar alguns deles.

Mandala Externa

Uma mandala externa (phyi’i dkyil-‘khor) é uma representação de um sistema de mundo. É usada como uma oferta feita a um professor espiritual quando se pede para dar um ensinamento, para conferir um conjunto de votos ou para conferir um empoderamento tântrico. Similarmente, é usado como uma oferenda de apreciação no final do ensinamento, dos votos ou da ceremônia de empoderamento (iniciação tântrica).
A mandala oferecida pode consistir de uma tigela de fundo achatado segurada com o lado de baixo em cima, com três montes de grãos crus ou jóias, colocadas umas sobre as outras sobre a sua superfície e contida dentro de anéis concêntricos progressivamente mais pequenos. É coroada com um diadema ornamental.

Jogo de mandalas tradicionais tibetanas

Alternativamente, a oferta da mandala pode ser feita com as mãos em mudra, com os dedos entrelaçados numa determinada forma.
Oferta de mandala feita com as mãos em mudra
O sistema de mundo representado por ambos os tipos de mandala externa é mais frequentemente descrito nos ensinamentos do abhidharma sobre os tópicos especiais de conhecimento. Consiste num sistema que tem quatro continents-ilhas à volta do Monte Meru, no centro, com cada continente-ilha tendo duas ilhas menores emparelhadas com eles, voltadas para o lado oposto ao Monte Meru o sistema Kalachakra, a forma de sistema de mundo é ligeiramente diferente, embora ainda tenha Monte Meru, quatro continentes-ilhas e oito ilhas mais pequenas.
Sua Santidade o XIV Dalai Lama disse frequentemente que também podemos imaginar a mandala externa representando o planeta terra, o sistema solar, a galáxia ou o universo, como a ciência moderna hoje os concebe. Não faz diferença. O importante é que a oferta da mandala representa a voluntariedade de dar tudo no universo para receber ensinamentos, votos ou empoderamentos.
Oferecer uma mandala externa cem mil vezes é uma parte padrão das práticas preliminares especiais (sngon-‘gro), feitas para se acumular suficiente força positiva (bsod-nams, mérito) para se começar a prática séria do tantra com um mínimo necessário de sucesso. Nesses casos, o objeto a quem o mandala é oferecido é geralmente uma assembleia visualizada de budas, bodhisattvas e de mestres da linhagem, especialmente os nossos próprios professores espirituais. A eficácia da mandala em acumular força positiva depende da pureza da motivação, do nível de concentração e da profundidade da compreensão da vacuidade de nós próprios, a fazer a oferenda, dos objetos a quem nós a oferecemos, da própria mandala e da ação de oferecê-la.
A oferta repetida de uma mandala externa constrói também a força positiva requerida para irmos além do nosso nível de compreensão atual e progredirmos para um nível mais profundo. Por exemplo, Tsongkhapa (Tsong-kha-pa Blo-bzang grags-pa), o fundador da tradição Gelug, ofereceu dezoito grupos de 100.000 oferendas da mandala, além de trinta e cinco grupos de 100.000 prostrações, a fim de construir força positiva suficiente para adquirir uma compreensão correta da visão Madhyamaka-Prasangika da vacuidade.

Mandala Interna, Secreta e Própria-Natureza-da-Realidade

O tantra anuttarayoga, o superior das quatro classes de tantra nas escolas do Novo Período de Traduções (Kagyu, Sakya e Gelug), tem quarto níveis de oferendas. Paralelos a eles estão os quarto níveis de oferecimento de mandala. Estes quatro níveis de oferendas e de ofertas de mandala correlacionam com os quatro empoderamentos (dbang, iniciação, “wang”) do tantra anuttarayoga.
  • A oferenda externa (phyi’i mchod-pa) é [uma oferenda] de objetos externos tais como água, flores, incenso e assim por diante ou de objetos desejáveis dos cinco sentidos. Uma mandala externa é uma oferenda feita de um sistema de mundo externo. Oferenda externa e a correlacionada mandala externa com o empoderamento do vaso (bum-dbang). O empoderamento do vaso purifica o corpo para alcançar um Nirmanakaya (sprul-sku), Corpus de Emanações. Empodera a prática do estágio da geração (bskyed-rim), durante a qual visualizamo-nos como figuras-búdicas.
  • Uma oferenda interna (nang-mchod) é dos aspectos do corpo. Estes podem ser aspectos do corpo grosseiro ou seja, os cinco agregados e cinco elementos ou, no Kalachakra, aspectos do corpo sutil, ou seja, os dez ventos-energia sutis. Cinco carnes e cinco néctares, purificados, transformados e multiplicados, representam os dois conjuntos de cinco ou os dez. Uma mandala interna (nang-gi dkyil-‘khor) é uma oferenda feita de várias partes do corpo grosseiro, com a coluna ou o tronco imaginado como o Monte Meru e os quatro membros imaginados como os quatro continents-ilhas. A oferenda interna e a mandala interna correlacionam com o empoderamento secreto (gsang-dbang). O empoderamento secreto purifica os ventos-energia sutis e o discurso [a fala] para alcançar um Sambhogakaya (longs-sku), Corpus de Uso Pleno. Empodera a prática, no estágio completo [estágio da completude] (rdzogs-rim), do corpo ilusório (sgyu-lus).
  • Uma oferenda secreta ou escondida (gsang-mchod) é da consciência bem-aventurada. Alternativamente, é da consciência de bem-aventurança não-conceptual da vacuidade com a luz clara, o nível mais sutil da atividade mental (uma mente de luz clara). Similarmente, uma mandala secreta ou uma mandala escondida (gsang-ba’i dkyil-‘ khor) é uma oferenda de uma consciência de bem-aventurança ou de uma consciência de bem-aventurança não-conceptual da vacuidade com uma mente de luz clara. A oferenda secreta ou escondida correlaciona com o empoderamento da consciência discriminadora profunda (shes-rab ye-shes dbang). Um empoderamento da consciência discriminadora profunda purifica a mente para alcançar um Jnana-dharmakaya (ye-shes chos-sku), Corpus da Profunda Consciência que Tudo Abrange. Empodera a prática, no estágio completo [estágio da completude], da luz clara (`od-gsal).
  • Uma oferenda da própria natureza da realidade (de-kho-na-nyid mchod-pa, oferenda da talidade) é da cognição não-conceptual da vacuidade. Alternativamente, é das duas verdades inseparáveis, ou seja, (1) a aparência pura de nós próprios como figuras búdicas (yidam, “ deidade”) e (2) a consciência de bem-aventurança não-conceptual da vacuidade com uma mente de luz clara. Uma mandala da própria natureza da realidade (de-kho-na-nyid-kyi dkyil-‘khor, mandala da talidade) é uma oferenda da cognição não-conceptual da vacuidade ou das duas verdades inseparáveis formuladas como acima. A oferenda da própria natureza da realidade e da mandala da própria natureza da realidade correlacionam com o quarto [empoderamento] (dbang bzhi-pa) ou o empoderamento da palavra (tshig-dbang). O quarto [empoderamento] ou o empoderamento da palavra purifica o corpo, o discurso e a mente inseparavelmente juntos para alcançar um Svabhavakaya (ngo-bo-nyid sku), o Corpus da Natureza Essencial ou, mais inteiramente, um Svabhava-dharmakaya (ngo-bo-nyid chos-sku), Corpus da Natureza Essencial que Tudo Abrange. Empodera a prática, no estágio completo [estágio da completude], do par unificado (zung-‘ jug) das duas verdades.

Mandalas na Base das quais os Empoderamentos São Conferidos

Ao contrário das permissoes subsequentes (rjes-snang), que são conferidas na base de um torma (gtor-ma), ou seja, de um bolo de cevada assada actualizado (realmente transformado) numa figura búdica por um mestre tântrico, os empoderamentos são conferidos na base de uma mandala.
O empoderamento do vaso, encontrado em todas as quatro classes do tantra, é conferido na base do mundo simbólico da mandala em que uma figura búdica ou um grupo de figuras búdicas vivem. Inclui (1) a mandala de suporte [ou mandala de apoio] (rten-pa’i dkyil-‘khor) – ou seja, um palácio e o ambiente em torno dele - e (2) a mandala suportada [ou mandala apoiada] (brten-pa’i dkyil-‘khor) – todas as figuras [que lá estão] dentro.
A base para rotular ou imputar (gdags-gzhi) o mundo simbólico da mandala durante o ritual do empoderamento pode ser:
  • Uma mandala de tecido (ras-bris-kyi dkyil-‘khor), que é uma representação bidimensional do palácio e do ambiente, um tanto como um plano arquitetural, pintada numa peça de tecido ou de papel e colocada geralmente dentro de uma moldura de madeira quadrada pintada e decorada, com lados abertos e um telhado.


Mandala de Kalachakra pintada em tecido
  • A mandala de areia pulverizada (rdul-phran-gyi dkyil-‘khor), que é uma representação do palácio e do ambiente feita com areia colorida pulverizada e colocada geralmente no mesmo tipo de moldura de madeira em que a mandala de tecido é colocada.
     
    Fazendo uma mandala de areia de Guhyasamaja

  • Uma mandala de estabilidade mental (bsam-gtan-gyi dkyil-‘khor), que é manifesta [a partir] da concentração absorta (ting-nge-‘dzin, sânsc. samadhi) do mestre tântrico, sem uma base física.
  • Exclusivamente em alguns tantras anuttarayoga mãe, tais como Chakrasamvara, Vajrayogini, Hevajra e Chittamani Tara, uma mandala do corpo (lus-kyi dkyil-‘khor, lus-dkyil), na qual o mestre tântrico actualizou (realmente transformou) várias partes do seu corpo sutil como aspectos das mandalas de suporte e suportadas. Receber um empoderamento de uma mandala-corpo requer o recebimento prévio de um empoderamento de um dos outros três tipos de mandala alistados acima
  • Ocasionalmente, uma mandala tridimensional (blos-blangs), feita geralmente de madeira ou de metal, pode ser usada alternativamente.


Mandala 3D tradicional
Kalachakra no Palácio de Potala Palace, Lhasa, Tibete
Uma mandala 3D moderna de Kalachakra feita por Arjia Rinpoche no EUA

Os três empoderamentos seguintes são encontrados apenas no tantra anuttarayoga.
  • O empoderamento secreto é conferido [a partir] de uma mandala simbólica redonda de bodhichitta relativa (kun-rdzob byang-sems-kyi dkyil-'khor). Isto diz respeito às gotas, geralmente de yogurte e chá, que servem como a base para rotular as gotas de energia sutis de bodhichitta branca e vermelha e que são dadas a saborear.
  • O empoderamento da consciência discriminadora profunda é conferido [a partir] de uma mandala simbólica redonda de um ventre [útero] (bha-ga’i dkyil-‘khor).
  • O quarto, ou o empoderamento da palavra, é conferido [a partir] de uma mandala simbólica redonda de bodhichitta mais profunda (don-dam byang-sems-kyi dkyil-‘khor). Esta mandala diz respeito à compreensão mais profunda da vacuidade.
Em Kalachakra,
  • O empoderamento do vaso é conferido [a partir] de um seio redondo simbólico como-[uma espécie de]-vaso, em vez de [a partir] de um vaso que contem água consagrada como em outros sistemas de anuttaryoga.
  • O empoderamento secreto é conferido [a partir] de uma mandala simbólica redonda de um ventre [útero], a fonte das gotas simbólicas a provar, em vez de [a partir] de uma mandala de goats de bodhichitta relativa, como em outros sistemas anuttarayoga.
  • O empoderamento da consciência discriminadora profunda é conferido [a partir] de uma mandala simbólica redonda de bodhichitta relativa - as gotas de energia sutis que descem dentro do corpo – em vez de [a partir] da mandala de um ventre [útero] como em outros sistemas anuttarayoga.
  • O quarto, ou o empoderamento da palavra, é conferido [a partir] da mandala simbólica redonda de bodhichitta mais profunda, como em outros sistemas anuttarayoga.

Discos-Mandala Simbólicos

A prática tântrica inclui a visualização de vários discos-mandala redondos simbólicos. O mais comuns são os discos-mandala do sol e da lua, representando, respectivamente, a compreensão da vacuidade e o objetivo da bodhichitta, de alcançar a iluminação para sermos da melhor ajuda a todos os outros.
Os cinco elementos externos e corpóreos - terra, água, fogo, vento e espaço - são representados frequentemente pelos discos-mandala simbólicos com as formas e as cores determinadas pela convenção budista. Por exemplo, um disco-mandala amarelo e quadrado representa o elemento terra.
No sistema Kalachakra, discos-mandala redondos simbólicos de quatro corpos celestiais envolvidos em eclipses - a lua, o sol, Rahu e Kalagni (os nós, do norte e do sul, da lua) - representam quatro gotas de energia sutil dentro do corpo sutil. Estas são as gotas-energia do estado acordado, do estado de sonho, do estado de sono profundo e do quarto estado ou estado supremo.

Palácios-Mandala

A maioria dos sistemas de figuras búdicas inclui um palácio-mandala, chamado frequentemente um palácio imensuravelmente magnífico (gzhal-yas khang), onde residem as figuras búdicas do sistema. A estrutura dos palácios modela a dos antigos palácios indianos, embora os telhados sugiram uma influência chinêsa. Os palácios são quadrados, na maior parte com dois, mas ocasionalmente com mais de dois, andares e têm portões que conduzem aos salões de entrada de cada lado e uma passagem sob um arco além de cada portão. As paredes têm camadas multiplas em espessura e, no topo, têm bordas e outras características estruturais complexas decoradas e cobertas de jóias.
Cada característica arquitetural representa um aspecto particular do caminho à iluminação. Com respeito ao mandala de Vajrabhairava, por exemplo, os quatro lados do palácio significam as quatro verdades nobres, as cinco cores do chão e das camadas das paredes representam os cinco tipos de consciência profunda e assim por diante.

Mandala do Corpo

Diversos sistemas de figuras búdicas do anuttarayoga tantra, tanto dos tantras pai quanto dos tantras mãe têm mandalas do corpo (lus-dkyil). Um mandala-corpo consiste de uma rede de figuras búdicas arranjadas dentro do nosso próprio corpo enquanto figura búdica e para as quais várias partes dos nossos corpos samsáricos impuros serviram como a sua causa obtentora (nyer-len-gyu rgyu). A causa obtentora de algo é aquilo a partir do qual obtemos o item seu sucessor e, assim, cessa de existir quando o seu sucessor surge. Por exemplo, a massa de pão, ao cozer [e se tornar] em pão, deixa de existir como massa de pão. Similarmente, no sistema de Guhyasamaja, por exemplo, o nosso agregado impuro da forma serve como causa obtentora para a forma pura de um Vairochana surgir em vez dele.
Nos sistemas de figuras búdicas do anuttarayoga tantra-mãe que têm mandalas-corpo, tais como Chakrasamvara, Vajrayogini e Chittamani Tara, as figuras surgem [a partir] de partes do corpo-energia sutil, ou seja, dos canais-energia, como suas causas obtentoras. Nos sistemas anuttarayoga tantra-pai que têm mandalas-corpo, tais como Guhyasamaja, as figuras surgem de partes do corpo grosso, tais como os agregados, elementos, sensors cognitivos e membros, como suas causas obtentoras. Nos sistemas anuttarayoga tantra, designados como não-duais na tradição Sakya, que têm mandalas-corpo, tais como Hevajra, partes tanto do corpo sutil como do corpo grosso servem como causas obtentoras para as figuras búdicas.
Os acima são exemplos de mandalas-corpo de figuras búdicas suportadas. Alguns sistemas anuttarayoga, tais como Guhyasamaja, têm também uma mandala-corpo que suporta, contendo um palácio para o qual partes do corpo bruto serviram como suas causas obtentoras.
Somente as mandalas do corpo em sistemas anuttarayoga-mãe servem como bases a partir das quais um empoderamento do vaso pode ser conferido.

DESEQUILÍBRIO DE ENERGIA NO FÍGADO PODE OCASIONAR DOENÇAS

 

HEPATITE:

CAUSAS: (Pensamentos - padrõs negativos).
Medo, raiva, ser odiado .O fígado é o local da raiva e emoções primitivas.

CURA: (Pensamentos - padrões positivo).
'Eu deixo ir agora tudo o que não preciso mais . Minha consciência está limpa e meus pensamentos são frescos, novos e cheios de vida.'

MEDICINA ALTERNATIVA


Desequilíbrio de energia no fígado pode ocasionar síndrome do pânico


O fígado, como todos os outros órgãos, tem uma função yin e outra yang. Quando falamos no fígado, do ponto de vista energético, estamos falando do fígado propriamente, da vesícula biliar, dos olhos, dos ombros, dos joelhos, dos tendões, das unhas, dos seios, e todo o aparelho reprodutor feminino, desde ovários, trompas, útero e vagina. Por esse motivo, na MTC se diz que o fígado é o órgão mais importante para a mulher, assim como o rim é para o homem.

A energia do fígado é responsável por manter o livre fluxo da energia total do corpo. Como o movimento do sangue segue o movimento da energia, dizemos que o fígado direciona a circulação do sangue e regula também o ciclo menstrual. Mas o papel mais importante, sem dúvida é sobre o equilíbrio emocional, é a energia do fígado quem vai nos fazer responder a todos os estímulos emocionais,
24 horas por dia sem parar; daí já se deduz o desgaste intenso ao qual é submetido este sistema, e pouquíssimas atitudes são tomadas para auxiliar o fígado nesta tarefa, pelo contrário a nossa cultura parece fazer tudo para impedir o equilíbrio. Como todas as emoções boas ou más passam pelo fígado, não devemos reprimi-las a todo momento. A repressão das emoções provoca um bloqueio da energia que vai levar à formação de calor no fígado. Este desequilíbrio energético pode se manifestar de várias formas. Dependendo da sua localização, podemos ter uma insônia, uma enxaqueca, uma precordialgia, uma hipertensão, uma gastrite, uma tensão pré menstrual, e por aí vai.

Os adoecimentos podem ser de dois tipos, por falta ou por excesso de energia, ou usando um termo mais técnico, por vazio ou plenitude. Em relação às emoções que lesam mais especificamente o fígado vamos ter, num quadro de plenitude, a raiva, mais exatamente a raiva reprimida e, num quadro de vazio, o pânico, que agora virou síndrome de pânico.

Cabe aqui fazermos uma distinção entre sentimento e emoção. Os sentimentos geralmente fortalecem os órgãos e servem como mecanismos de defesa para o nosso organismo. Por exemplo, uma sensação de apreensão é diferente do medo. A primeira nos coloca num estado de alerta diante de uma certa situação, sem nos limitar em nada, nos protegendo dos perigos. O medo por sua vez nos limita e nos paralisa. A mesma coisa em relação a uma certa irritação que nos leva a reagir quando somos atacados ou nos sentimos lesados, que é diferente da raiva que tem um grau mais intenso. O importante é entender que todos os sentimentos atuam bem no organismo, tudo depende da intensidade e por quanto tempo. Da mesma forma que o sal, o orégano e a pimenta são temperos usados na alimentação, os sentimentos são o tempero da nossa existência. A qualidade de nossa vida dependerá da quantidade e da forma com que serão usados.

Como já foi dito, o fígado rege praticamente todo o sistema reprodutor feminino e é responsável por alterações no seu funcionamento que vão desde alterações no ciclo menstrual, os cistos de ovário, miomas uterinos, corrimentos vaginais, prurido vaginal, alterações da libido, como frigidez e impotência. Em algumas doenças só a energia do fígado está em desarmonia, e em outras existe também desequilíbrio de outros órgãos.

O fígado rege as articulações do ombro e joelhos e também os tendões de modo geral. Assim sendo, as bursites e as dores nos joelhos sem causa aparente, são sinais de comprometimento da energia do fígado. As tendinites e os estiramentos freqüentes também estão neste grupo.

Os olhos são a manifestação externa do fígado, e suas patologias também vão nos indicar algumas alterações no fígado, as mais comuns são as conjuntivites, os olhos vermelhos sem processo inflamatório, os terçóis, os pontos brilhantes que aparecem no campo visual e outros.

As unhas são outra manifestação externa das condições do fígado, e as suas deformidades ou a presença de micose vão nos sugerir algum comprometimento na estrutura yin do fígado, ou desequilíbrio prolongado da energia do fígado.

Para concluir, o fígado comanda o funcionamento do sistema nervoso e é o responsável pelas alterações funcionais como as várias formas de epilepsia, as alterações no raciocínio, os desmaios e as perdas de consciência de modo geral, e as doenças degenerativas como o Parkinson.

Todo órgão está acoplado a uma víscera que, no caso do fígado, é a vesícula biliar, que em geral tem um papel secundário para o funcionamento do sistema. Resumidamente, a vesícula atua mantendo o nosso equilíbrio postural. Todos os quadros de tonturas, vertigens, labirintites estão ligados a ela. Rege a articulação têmporo-mandibular (ATM). Todas as tensões que ficaram retidas no fígado podem descarregar nesta região e produzir um quadro de ranger os dentes (bruxismo), que se manifesta mais freqüentemente durante o sono. A nível emocional a vesícula biliar comanda o nosso processo de decisão, e seus desequilíbrios vão se apresentar na forma de indecisões ou mesmo desorientações, perda de rumo.

A lágrima é a secreção interna que ajuda a aliviar o fígado. Deste fato vem a importância de não se reprimir o choro, embora nem sempre seja conveniente socialmente. Mas, pode acreditar, conter o choro faz mal à saúde.

Agora que já temos uma idéia de como é estar com a energia do fígado desequilibrada, vamos fazer alguma coisa para ajudar. O mais importante é a harmonia das emoções, isto é, as emoções não devem ser reprimidas. Nós devemos senti-las e deixá-las fluir, evitando o apego emocional. Depois, evitar os medicamentos químicos, as bebidas alcoólicas, os temperos picantes, se não puder evitar, usá-los com moderação. Na alimentação, optar pelas coisas de cor verde, e usar de preferência verduras cruas.
 
Fábio Miranda Pisani - Acupuntura, Fitoterapia, Homeopatia
CRM: 43711 - E-mail: fpisani@uol.com.br
http://terapiafloralon-line.blogspot.com/2008/08/43-desequilbrio-de...

MÚSICA: "FALANDO DE AMOR" - TOM JOBIM




Se eu pudesse por um dia
Esse amor, essa alegria
Eu te juro, te daria
Se pudesse esse amor todo dia
 
Chega perto, vem sem medo
Chega mais meu coração
Vem ouvir esse segredo
Escondido num choro canção

Se soubesses como eu gosto
Do teu cheiro, teu jeito de flor
Não negavas um beijinho (um beijinho)
A quem anda perdido de amor (oh! meu amor)

Chora flauta, chora pinho
Choro eu, o teu cantor
Chora manso, bem baixinho
Nesse choro falando de amor

Chega perto (vem), vem sem medo
Chega mais meu coração (coração)
Vem ouvir esse segredo
Escondido num choro canção

Quando passas tão bonita
Nessa rua banhada de sol
Minha alma segue aflita
E eu esqueço até do futebol (do futebol)

Vem depressa, vem sem medo
Foi pra ti, meu coração
Que eu guardei esse segredo
Escondido num choro canção
Lá no fundo do meu coração

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O PODER DA SOLUÇÃO





Uma árvore precisa de podas para crescer mais forte. A poda permite que a árvore retome o seu vigor porque ela perde galhos que não têm mais função. Galhos que simplesmente ocupam espaço e bebem sua seiva sem nada dar em troca. Infelizmente, a maioria das pessoas acha que ser feliz é não ter problemas e por isso elas não experimentam o sabor da vida. As pessoas que admiro não são aquelas que não tiveram problemas, mas aquelas que souberam administrar problemas gigantescos e depois de  superá-los falam deles com um sorriso nos lábios. Portanto, se você tem "problemas reais", procure enfrentá-los com coragem. Trace uma boa estratégia para resolvê-los e mãos à obra. 


Roberto Shinyashiki, do Livro: O poder da solução.  

Postado por Ana Lúcia - integracaoholistica.blogspot.com