sábado, 16 de julho de 2016
quinta-feira, 14 de julho de 2016
Cientistas provaram que o açafrão tem a eficácia de 14 medicamentos!
Saiba para o que é indicado o açafrão!
Uma das plantas mais pesquisadas até hoje é o açafrão.
É considerada por muitos como uma planta sagrada por todas as propriedades medicinais e componentes que tem.
Este projecto de pesquisa que lhe vamos apresentar foi feito ao longo
de cinco anos e revelou mais de 600 aplicações potenciais preventivas e
terapêuticas, bem como 175 efeitos fisiológicos benéficos distintos.
Com tanta pesquisa feita sobre esta planta, não é de admirar que um
número crescente de estudos conclua que ela pode apresentar inúmeros
benefícios!
- Um estudo de 2008 publicado na journalDrugs em R&D descobriu que uma preparação padronizada de curcuminoides em comparação ao medicamento comercial sobre a disfunção endotelial, patologia subjacente das veias sanguíneas que impulsiona a arterosclerose, em associação com reduções na inflamação e stresse oxidativo em pacientes diabéticos tipo 2.
- Um estudo de 1999 publicado na revista Phytotherapy Researchdescobriu que o polifenol primário do pigmento do açafrão, a curcumina, é comparado favoravelmente a anti inflamatórios na gestão de uveíte anterior crónica, uma doença inflamatória do olho. Um estudo de 2008 publicado em Critical Care Medicine descobriu que a curcumina é comparada favoravelmente com o medicamentos comerciais no modelo animal como uma terapia alternativa para proteger lesão pulmonar associada ao transplante através da diminuição de genes inflamatórios. Um estudo anterior de 2003, publicado no Cancer Letters encontrou o mesmo medicamento também comparado em um modelo de isquemia e reperfusão pulmonar.
- Um estudo de 2011 publicado na revista Acta Poloniae Pharmaceutica descobriu que a curcumina é comparada favoravelmente a antidepressivos para reduzir o comportamento depressivo em modelo animal.
- Um estudo de 1986, in vitro e ex vivo publicado no journal Arzneimittelforschung constatou que a curcumina tem efeitos moduladores de prostaciclina e anti plaquetas, indicando que pode ter valor em pacientes com tendência para a trombose vascular e exigindo terapia para artrite.
- Um estudo de 2004 publicado na revista Oncogene descobriu que a curcumina (assim como resveratrol) eram eficazes ao exercer actividades anti-inflamatórias e anti-proliferativas contra as células tumorais.
- Um estudo de 2007 publicado no International Journal of Cancer descobriu que a curcumina pode actuar como agente anti-proliferativo em linhas de células cólon-rectais.
- Um estudo de 2009 publicado na revista Biochemistry and Biophysical Research Community explorou como a curcumina pode ser valiosa no tratamento de diabetes, afirmando que ela activa a AMPK (que aumenta a absorção de glicose) e suprime a expressão do gene gliconeogénico (que suprime a produção de glicose no fígado) em células de hepatoma.
Outra forma em que a curcumina e seus componentes revelam as suas
propriedades terapêuticas notáveis está na investigação em cancros
resistentes a medicamentos ou a múltiplos medicamentos.
Foi descoberto que cerca de 54 estudos indicam que a curcumina pode
induzir a morte celular ou sensibilizar linhagens de células
cancerígenas resistentes a medicamentos.
Considerando o histórico do açafrão (curcumina), tendo sido usado
tanto como alimento e medicamento em uma ampla gama de culturas, há
milhares de anos, um forte argumento pode ser feito para se usar a
curcumina como uma alternativa de medicamentos ou adjuvante no
tratamento do cancro.
fonte: acurapelasplantas.com
terça-feira, 12 de julho de 2016
Esperança é coisa secreta e costuma pousar diretamente em mim , sem
ninguém saber.
Uma vez , aliás , agora é que me lembro , uma esperança
bem menor que esta pousara no meu braço . Não senti nada , de tão
leve que era , foi só visualmente que tomei consciência de sua
presença . Encabulei com a delicadeza . Eu não mexia o braço e pensei :
" e essa agora ? que devo fazer ?" Em verdade nada fiz . Fiquei
extremamente quieta como se uma flor tivesse nascido em mim .
Clarice Lispector
domingo, 10 de julho de 2016
Música : "Segue o seco" - Marisa Monte
(Letra de Carlinhos Brown)
A boiada seca
Na enxurrada seca
A trovoada seca
Na enxada seca
Segue o seco sem sacar que o caminho é seco
Sem sacar que o espinho é seco
Sem sacar que seco é o Ser Sol
Sem sacar que algum espinho seco secará
E a água que sacar será um tiro seco
E secará o seu destino seca
Ô chuva vem me dizer
Se posso ir lá em cima prá derramar você
Ó chuva preste atenção
Se o povo lá de cima vive na solidão
Se acabar não acostumando
Se acabar parado e calado
Se acabar baixinho chorando
E se acabar meio abandonado
Pode ser lágrimas de São Pedro
Ou talvez um grande amor chorando
Pode ser o desabotoar do céu
Pode ser um coco derramando
Lembranças e omissões
Iván Izquierdo: Lembranças e omissões
Neurocientista fala sobre a importância das memórias e também do esquecimento
MARCOS PIVETTA |
ED. 99 | MAIO 2004
Com um sotaque carregado que ainda trai a sua terra natal, a platina
Buenos Aires, o médico e neurocientista Iván Izquierdo, 66 anos, da
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), é um dos maiores
especialistas em fisiologia da memória do mundo. Produtivo como poucos,
dono de um currículo com mais de 500 artigos científicos, que já foram
citados quase 8 mil vezes em trabalhos de outros pesquisadores,
Izquierdo conduziu estudos que, nas últimas três décadas, ajudaram a
entender o papel desempenhado por substâncias químicas e estruturas
cerebrais na formação, preservação e perda das recordações e lembranças.
Uma de suas contribuições mais importantes foi a demonstração de que
existem duas divisões da memória, a de curta e a de longa duração, que
se formam em paralelo, mas de maneira diferente.
“Somos exatamente o que nos lembramos e também somos aquilo que não
queremos lembrar”, diz esse leitor assíduo de seu compatriota Jorge Luis
Borges.Casado com uma gaúcha e com amigos deste lado da fronteira,
Izquierdo deixou a Argentina em 1973, “quando a situação política era
muito ameaçadora”, e rumou para pátria de sua mulher. Morou três anos em
São Paulo, onde trabalhou na Escola Paulista de Medicina (hoje
Universidade Federal de São Paulo), antes de se fixar em Porto Alegre.
Achava que o Brasil era apenas uma escala em sua vida, mas estava
enganado. Acabou ficando porque, entre outras razões, aqui a ditadura
militar acenava com a perspectiva de uma abertura lenta e gradual do
regime.
“E na Argentina veio um fechamento súbito e total”, afirma. Em 1981,
quando se sentiu “mais um da casa” no novo país, naturalizou-se
brasileiro. Hoje, se define como um “Meligeni da ciência”, numa
referência ao tenista Fernando Meligeni, nascido na Argentina e também
naturalizado brasileiro. Izquierdo, aliás, recorre com freqüência a
ídolos do esporte – e da literatura – para explicar conceitos das
neurociências, como o leitor verá nesta entrevista. Formalmente
aposentado desde o ano passado, continua na ativa, à frente do Centro de
Memória do Instituto de Biociências da UFRGS.
Por que o senhor resolveu estudar os mecanismos da memória?
Porque achei – e acho ainda – que é um mecanismo que tem sempre algo de misterioso por trás, algo que diz respeito a quem somos. Somos indivíduos porque temos memória. Somos exatamente aquilo que lembramos. Cada um de nós tem um certo acervo de memória que é peculiarmente nosso, que não compartilhamos com ninguém. Tudo isso me pareceu suficientemente interessante para eu me dedicar a esse tema para o resto da vida.
Porque achei – e acho ainda – que é um mecanismo que tem sempre algo de misterioso por trás, algo que diz respeito a quem somos. Somos indivíduos porque temos memória. Somos exatamente aquilo que lembramos. Cada um de nós tem um certo acervo de memória que é peculiarmente nosso, que não compartilhamos com ninguém. Tudo isso me pareceu suficientemente interessante para eu me dedicar a esse tema para o resto da vida.
Hoje quanto ainda há de mistério para a ciência sobre a questão da memória?
Bem, sempre haverá um mistério, que é o fato de a memória envolver, de certa forma, transformações da realidade que a gente enxerga, ou que a gente sente, em um código neuronal. E, depois, eventualmente esse código neuronal – que é elétrico e é químico, as duas coisas – se retransforma em expressões daquilo que nos lembramos, se transforma em lembranças, recordações. Sempre haverá algo que fará com que isso seja eternamente misterioso.
Bem, sempre haverá um mistério, que é o fato de a memória envolver, de certa forma, transformações da realidade que a gente enxerga, ou que a gente sente, em um código neuronal. E, depois, eventualmente esse código neuronal – que é elétrico e é químico, as duas coisas – se retransforma em expressões daquilo que nos lembramos, se transforma em lembranças, recordações. Sempre haverá algo que fará com que isso seja eternamente misterioso.
Quais são as principais contribuições dadas pelo seu grupo de pesquisa para o melhor entendimento de como se forma a memória?
A primeira grande contribuição nossa, junto com outros grupos, foi a determinação dos grandes mecanismos cerebrais que modulam a memória, de diversos mecanismos mediados por neurotransmissores, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina, ou por hormônios, como a adrenalina, a beta-endorfina, a vasopressina e os corticóides. Isso foi nos anos 1970. Nessa linha de trabalho, destacaria a descoberta dos mecanismos de ação da nicotina e da anfetamina e, mais tarde, da beta-endorfina sobre a memória.
A primeira grande contribuição nossa, junto com outros grupos, foi a determinação dos grandes mecanismos cerebrais que modulam a memória, de diversos mecanismos mediados por neurotransmissores, como a serotonina, a dopamina e a noradrenalina, ou por hormônios, como a adrenalina, a beta-endorfina, a vasopressina e os corticóides. Isso foi nos anos 1970. Nessa linha de trabalho, destacaria a descoberta dos mecanismos de ação da nicotina e da anfetamina e, mais tarde, da beta-endorfina sobre a memória.
A modulação da memória por todas essas substâncias faz com que a
formação e a evocação da memória sejam tão sensíveis às emoções e aos
estados de ânimo. Mais recentemente identificamos sobre quais substratos
moleculares das áreas cerebrais, que fazem e evocam memórias, atuam
essas substâncias, e de que maneira (elas atuam).
A segunda contribuição
importante foi o estudo dos mecanismos moleculares reais da memória,
sobretudo no hipocampo. Isto se iniciou em meados dos anos 1980, quando
começou a haver modelos úteis sobre os quais se podia trabalhar. Essa
linha de pesquisa nos permitiu conhecer em detalhe a seqüência molecular
dos processos de formação das memórias no hipocampo e em outras regiões
cerebrais.
A terceira grande contribuição foi a divisão da memória em
memória de curta e de longa duração. Ao contrário do que se pensava,
demonstramos que as divisões da memória são dois processos paralelos e
diferenciados. Demonstramos que a memória de curta duração não era a
parte inicial da outra, a memória de longa duração. Isso é de grande
importância na patologia da memória.
As contribuições mais recentes
nossas consistiram em identificar os mecanismos envolvidos na evocação,
em várias regiões cerebrais, os mecanismos moleculares da extinção das
memórias e, ultimamente, os mecanismos do que resultaram ser uma forma
diferente de memória: a memória de aprender novamente. É diferente da
memória de aprender mais e diferente da evocação.
O senhor poderia explicar em mais detalhes o
funcionamento dessas duas divisões da memória, a memória de curta e a de
longa duração?
São duas memórias que se disparam ao mesmo tempo, que se formam nas mesmas células nervosas, mas utilizam mecanismos moleculares separados. Você aprende algo e a memória definitiva dessa coisa que você (ou qualquer animal) aprendeu leva várias horas para ser formada.
São duas memórias que se disparam ao mesmo tempo, que se formam nas mesmas células nervosas, mas utilizam mecanismos moleculares separados. Você aprende algo e a memória definitiva dessa coisa que você (ou qualquer animal) aprendeu leva várias horas para ser formada.
Ainda
assim, enquanto essa memória de longa duração não está construída, você
consegue responder (a uma questão que envolva esse aprendizado). Para
podermos conversar durante esta entrevista, você não tem por que esperar
que se consolide a memória da frase anterior, que levará várias horas.
Não é preciso fazer isso. Você na hora responde ao que eu digo e eu
respondo ao que você diz.
Para fazermos isso, utilizamos um sistema
paralelo à memória de longa duração, um sistema mais simples, um pouco
mais elementar e menos estável, que se denomina memória de curta
duração. Ela se parece com a memória de trabalho (RAM) dos computadores.
Essa memória de curta duração subsiste por quanto tempo?
Mais ou menos de três a seis horas. A melhor analogia que conheço para diferenciar essas duas memórias é a situação de quando vamos morar num hotel enquanto constroem a nossa casa. O hotel é a memória de curta duração, provisória, e a casa será a de longa duração.
Mais ou menos de três a seis horas. A melhor analogia que conheço para diferenciar essas duas memórias é a situação de quando vamos morar num hotel enquanto constroem a nossa casa. O hotel é a memória de curta duração, provisória, e a casa será a de longa duração.
Hoje qual é a sua principal linha de pesquisa?
A partir da década de 1990, mais ou menos, começamos a trabalhar em colaboração com o grupo de Jorge Medina, da Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, nos mecanismos que realmente participam da memória. Nessa época, começou a ficar claro no mundo que o principal neurotransmissor não é nenhum dos que mencionei antes, mas sim o ácido glutâmico.
A partir da década de 1990, mais ou menos, começamos a trabalhar em colaboração com o grupo de Jorge Medina, da Faculdade de Medicina da Universidade de Buenos Aires, nos mecanismos que realmente participam da memória. Nessa época, começou a ficar claro no mundo que o principal neurotransmissor não é nenhum dos que mencionei antes, mas sim o ácido glutâmico.
A grande transmissão excitatória do cérebro é glutamatérgica,
e a grande transmissão inibitória é pelo aminoácido
gama-amino-butírico. Então começamos a estudar os mecanismos que são
promovidos ou postos em ação por esses compostos. Enquanto Eric Kandel
(prêmio Nobel de Medicina em 2000), por exemplo, demonstrava os
mecanismos moleculares da plasticidade neuronal em moluscos, passamos a
estudar os mesmos processos, ou outros parecidos, em memória de
mamíferos.
Mais especificamente, qual é o tema de seus trabalhos mais recentes?
Ainda nem terminamos de escrever o trabalho, mas estamos demonstrando que, quando a gente aprende duas vezes, utiliza mecanismos diferentes dos usados para aprender uma coisa uma vez. É diferente aprender em uma ou em duas lições. Você utiliza outro lugar do cérebro.
Ainda nem terminamos de escrever o trabalho, mas estamos demonstrando que, quando a gente aprende duas vezes, utiliza mecanismos diferentes dos usados para aprender uma coisa uma vez. É diferente aprender em uma ou em duas lições. Você utiliza outro lugar do cérebro.
Para aprender
duas vezes, você utiliza o mesmo mecanismo que está envolvido com os
hábitos, localizado no corpo caudato. Para aprender uma vez, seja para
aprender muito ou pouco, utiliza-se mais o hipocampo. Isso talvez seja
muito importante, porque a maioria das coisas nós não aprendemos bem de
cara, senão em várias sessões.
Essa distinção vale para o aprendizado de conceitos?
Não sei. Por enquanto, sabemos que essa diferença aparece no rato que aprende a não descer uma plataforma para não receber um choque. É o aprendizado de um comportamento induzido, de um reflexo condicionado. Mas, veja, todos os aprendizados são reduzíveis a comportamentos ou seqüências de comportamentos. Todos.
Não sei. Por enquanto, sabemos que essa diferença aparece no rato que aprende a não descer uma plataforma para não receber um choque. É o aprendizado de um comportamento induzido, de um reflexo condicionado. Mas, veja, todos os aprendizados são reduzíveis a comportamentos ou seqüências de comportamentos. Todos.
O senhor poderia explicar os dois grandes tipos de memória, a declarativa e a de procedimentos?
Em geral, as memórias declarativas são aquelas que o humano pode expressar, pode declarar que existem. Por exemplo, a memória da medicina. Eu posso dizer e demonstrar que me lembro das coisas da medicina. Em animais é mais difícil identificar esse tipo de memória. Neles, a gente utiliza memórias que se assemelham àquelas que o humano pode declarar. As memórias declarativas podem ser semânticas ou episódicas.
Em geral, as memórias declarativas são aquelas que o humano pode expressar, pode declarar que existem. Por exemplo, a memória da medicina. Eu posso dizer e demonstrar que me lembro das coisas da medicina. Em animais é mais difícil identificar esse tipo de memória. Neles, a gente utiliza memórias que se assemelham àquelas que o humano pode declarar. As memórias declarativas podem ser semânticas ou episódicas.
Nós nos lembramos de episódios da própria vida, o animal
também. Nós nos lembramos de conceitos de grandes coisas, como a
medicina, e o animal também. Já as memórias de procedimentos são aquelas
que envolvem hábitos, por exemplo, saber tocar um teclado, saber nadar,
andar de bicicleta. Esses são procedimentos. É difícil explicar esse
tipo de memória, declarar que existe; só se pode demonstrar através da
prática de um procedimento: tocar um teclado, nadar efetivamente, andar
mesmo de bicicleta.
Por que, com o tempo, a gente vai perdendo as memórias, mesmo as de longa duração?
Há várias formas de perder memórias. Uma é a perda mesmo, que ocorre quando uma sinapse se atrofia pela falta de uso, ou desaparece por dano ou morte celular. Esse é o esquecimento propriamente dito; nele, as memórias efetivamente desaparecem, porque desaparecem as células que as (con)tinham.
Há várias formas de perder memórias. Uma é a perda mesmo, que ocorre quando uma sinapse se atrofia pela falta de uso, ou desaparece por dano ou morte celular. Esse é o esquecimento propriamente dito; nele, as memórias efetivamente desaparecem, porque desaparecem as células que as (con)tinham.
Mas há outras formas de perder memórias, pelo menos
perdê-las na aparência. Uma delas é a extinção, na qual as memórias não
se perdem; são escanteadas para um lugar menos acessível do cérebro. Em
algum canto, elas estão. Sua representação existe, mas é anulada pela
imposição de um aprendizado novo em cima do anterior. O animal aprende
literalmente a não responder como respondia, a não pensar como pensava, a
não fazer o que fazia.
Quer dizer que as memórias extintas podem ser recuperadas?
Em tese, sim. Muitas vezes podem ser recuperadas, mas nem sempre. Suponha, por exemplo, que você está acostumado a ir todos os dias a um guichê para pegar dinheiro. Um dia vai e o guichê está fechado. Você, então, muda o comportamento. Em vez de ir pegar dinheiro, dá meia volta quando vê o guichê fechado. Faz isso três, quatro dias.
Em tese, sim. Muitas vezes podem ser recuperadas, mas nem sempre. Suponha, por exemplo, que você está acostumado a ir todos os dias a um guichê para pegar dinheiro. Um dia vai e o guichê está fechado. Você, então, muda o comportamento. Em vez de ir pegar dinheiro, dá meia volta quando vê o guichê fechado. Faz isso três, quatro dias.
Quando
finalmente se dá conta de que o guichê continua fechado, deixa de ir lá.
Extingue esse comportamento. Mas, se um dia, por acaso, você passa pelo
guichê e nota que ele está aberto, você vai lá e pega o seu dinheiro. A
extinção é uma das formas de varrer para baixo do tapete uma memória. É
útil, é necessária. Sem ela, a gente não teria espaço físico no cérebro
para pensar.
Não seria possível comparar as coisas, pois estaríamos
sempre nos lembrando de que são parecidas e nunca poderíamos notar as
diferenças. Ou de que são diferentes e nunca notaríamos as semelhanças.
Quais são as outras formas de perder memórias?
Outra forma interessante é a repressão freudiana, da qual ninguém falou durante 70 ou 80 anos, fora os freudianos. Mas agora ela voltou à cena como um processo fundamental. Um grupo americano encontrou o mecanismo da repressão freudiana, que é diferente da extinção. O grupo de John Gabrieli (da Universidade Stanford) descobriu que a área pré-frontal do cérebro, bem na ponta do lobo frontal, manda inibir o hipocampo, que é a região mais envolvida na evocação da memória.
Outra forma interessante é a repressão freudiana, da qual ninguém falou durante 70 ou 80 anos, fora os freudianos. Mas agora ela voltou à cena como um processo fundamental. Um grupo americano encontrou o mecanismo da repressão freudiana, que é diferente da extinção. O grupo de John Gabrieli (da Universidade Stanford) descobriu que a área pré-frontal do cérebro, bem na ponta do lobo frontal, manda inibir o hipocampo, que é a região mais envolvida na evocação da memória.
Manda frear a evocação
de, por exemplo, uma certa palavra. Isso pode ser feito até que o
hipocampo finalmente aprenda a não responder mais. Na prática, é como se
a memória reprimida estivesse ausente, embora não esteja e possa sempre
voltar. A repressão freudiana e a extinção da memória são duas armas
fundamentais para podermos sobreviver.
Acabo de escrever um livro
chamado A arte de esquecer, em que digo que o esquecimento é uma coisa boa, necessária. Somos o que lembramos – e também aquilo que não queremos lembrar.
Mas nós não temos controle total sobre esse processo.
Quer dizer, muitas vezes lembramos coisas que queríamos esquecer e
esquecemos outras que queríamos lembrar.
Não somos perfeitos. Na medida em que passam os anos, o número de memórias que temos se torna cada vez maior. Então, algumas a gente extingue ou reprime. A depressão é a causa mais freqüente, mas menos grave, de amnésia, que é a falha ou falta em geral da memória declarativa.
Não somos perfeitos. Na medida em que passam os anos, o número de memórias que temos se torna cada vez maior. Então, algumas a gente extingue ou reprime. A depressão é a causa mais freqüente, mas menos grave, de amnésia, que é a falha ou falta em geral da memória declarativa.
No esquecimento real, como vimos, as bases das memórias se
perdem pela inatividade de circuitos nervosos envolvidos em uma ou outra
memória ou pela perda real de neurônios, que acontece com a idade, com
as doenças degenerativas etc. No mal de Alzheimer, por exemplo, morrem
neurônios, sinapses – e morrem as memórias que estavam contidas neles.
Hoje há algum tratamento eficaz contra problemas de memória? Por exemplo, contra o Alzheimer?
Ainda não há tratamento para Alzheimer. Nessa situação, há morte neuronal, e os neurônios perdidos não podem ser repostos com a informação original.
Ainda não há tratamento para Alzheimer. Nessa situação, há morte neuronal, e os neurônios perdidos não podem ser repostos com a informação original.
A saída seria a reposição desses neurônios?
Para recuperar a função geral, sim; mas não para recuperar cada memória, é claro. Nos últimos anos, descobriu-se que alguns lugares do cérebro têm capacidade de reposição neuronal, entre eles o hipocampo. Mas, pelo que se viu até agora, essa capacidade nunca vai reintegrar uma memória desaparecida. Poderá permitir que a máquina se reinstale para poder fazer uma nova memória.
Para recuperar a função geral, sim; mas não para recuperar cada memória, é claro. Nos últimos anos, descobriu-se que alguns lugares do cérebro têm capacidade de reposição neuronal, entre eles o hipocampo. Mas, pelo que se viu até agora, essa capacidade nunca vai reintegrar uma memória desaparecida. Poderá permitir que a máquina se reinstale para poder fazer uma nova memória.
E para perdas de memória mais leves e em pessoas mais jovens, há tratamentos?
Sim, mas não há remédios. O que há são formas de treinamento da memória, baseadas geralmente na leitura. Os remédios não adiantam porque o cérebro, em cada momento peculiar, já está fazendo tudo o que pode, dadas as circunstâncias de sentimentos e de emoções inerentes a cada momento. E as memórias que tenha aprendido ou evocado nos momentos anteriores
Sim, mas não há remédios. O que há são formas de treinamento da memória, baseadas geralmente na leitura. Os remédios não adiantam porque o cérebro, em cada momento peculiar, já está fazendo tudo o que pode, dadas as circunstâncias de sentimentos e de emoções inerentes a cada momento. E as memórias que tenha aprendido ou evocado nos momentos anteriores
Por que o senhor costuma dizer que o esquecimento é necessário para o homem?
Fundamental, porque senão literalmente não haveria lugar no cérebro (para tanta informação). Há vários estudos recentes aos quais se deu pouca importância, mas que são fundamentais para entender isso. Um grupo norueguês, em colaboração com um pesquisador inglês, mostrou que o hipocampo é a principal região do cérebro que faz e evoca as memórias declarativas.
Fundamental, porque senão literalmente não haveria lugar no cérebro (para tanta informação). Há vários estudos recentes aos quais se deu pouca importância, mas que são fundamentais para entender isso. Um grupo norueguês, em colaboração com um pesquisador inglês, mostrou que o hipocampo é a principal região do cérebro que faz e evoca as memórias declarativas.
Um animal utiliza 40% da estrutura total do hipocampo para
aprender uma determinada noção espacial. Para evocar esse aprendizado,
usa 60% do hipocampo. Durante o tempo em que está aprendendo, ou
evocando esse aprendizado espacial, o animal não pode fazer outra coisa.
Ele, por exemplo, não pode fazer uma boa potenciação de longa duração
ou reconhecer uma novidade, que são outras coisas que o hipocampo faz.
Então, isso quer dizer que a capacidade instalada no cérebro não é
infinita, não é tão grande assim. Ela é rapidamente saturada no rato e
certamente no ser humano. Nós temos até experiências físicas dessa
saturação. Vamos a um congresso, assistimos a duas ou três palestras
seguidas e ficamos com a impressão de que não cabe mais nada no cérebro.
Realmente, naquele momento não cabe mais nada. Então, saímos (da sala
de palestras), damos uma ventilada, tomamos um cafezinho. Depois que
baixou um pouco a poeira, que o hipocampo voltou a ser um pouco menos
utilizado, podemos voltar para a sala e ouvir mais uma palestra.
Não faz sentido, portanto, aquele ditado popular de que o saber não ocupa espaço?
Ocupa, sim. Adquirir o conhecimento e evocar o conhecimento ocupa muito espaço. Geralmente o cérebro tende a usar todos os recursos disponíveis para essa tarefa.
Ocupa, sim. Adquirir o conhecimento e evocar o conhecimento ocupa muito espaço. Geralmente o cérebro tende a usar todos os recursos disponíveis para essa tarefa.
Quer dizer que aquela história de que o ser humano só usa uma pequena porcentagem do cérebro é uma grande bobagem?
Na verdade, não dá para saber se isso é certo ou não. Isso porque não sabemos quantos neurônios e sinapses temos. Até vinte anos atrás, pensava-se que tínhamos, creio, 10 bilhões de neurônios. Hoje, sabemos que são pelo menos 200 bilhões, talvez 300 bilhões. E entre essas duas estimativas há uma diferença de 100 bilhões de neurônios.
Na verdade, não dá para saber se isso é certo ou não. Isso porque não sabemos quantos neurônios e sinapses temos. Até vinte anos atrás, pensava-se que tínhamos, creio, 10 bilhões de neurônios. Hoje, sabemos que são pelo menos 200 bilhões, talvez 300 bilhões. E entre essas duas estimativas há uma diferença de 100 bilhões de neurônios.
É possível treinar o cérebro para esquecer traumas ou passagens da vida que a gente não gostaria de evocar mais?
Às vezes, o cérebro faz isso automaticamente. Quando ele falha, temos o que se chama justamente estresse pós-traumático ou as fobias. Mas há terapias nas quais se utiliza precisamente a extinção e que são aplicadas para que um indivíduo extinga o estresse. O país onde isso foi mais estudado, por incrível que pareça, é a Turquia.
Às vezes, o cérebro faz isso automaticamente. Quando ele falha, temos o que se chama justamente estresse pós-traumático ou as fobias. Mas há terapias nas quais se utiliza precisamente a extinção e que são aplicadas para que um indivíduo extinga o estresse. O país onde isso foi mais estudado, por incrível que pareça, é a Turquia.
Turquia?
Sim. É que eles tiveram, em anos recentes, dois terremotos tremendos lá. E, num deles, morreram dezenas de milhares de pessoas, um número muito elevado. Depois das catástrofes, os neurologistas e psiquiatras turcos viram que havia um monte de pacientes com estresse pós-traumático, de pessoas que tinham estado nos lugares dos terremotos, mas haviam sobrevivido. Eles, então, puseram em prática o que se podia fazer para tratá-los e viram que se podia utilizar a extinção descoberta por Pavlov e prescrita por Freud.
Sim. É que eles tiveram, em anos recentes, dois terremotos tremendos lá. E, num deles, morreram dezenas de milhares de pessoas, um número muito elevado. Depois das catástrofes, os neurologistas e psiquiatras turcos viram que havia um monte de pacientes com estresse pós-traumático, de pessoas que tinham estado nos lugares dos terremotos, mas haviam sobrevivido. Eles, então, puseram em prática o que se podia fazer para tratá-los e viram que se podia utilizar a extinção descoberta por Pavlov e prescrita por Freud.
Alguns complementam as sessões de extinção com
drogas ansiolíticas, mas geralmente isso não é necessário. Depois do
(atentado de) 11 de setembro de 2001, um pouco por influência dos
turcos, os americanos passaram a utilizar mais a técnica da extinção,
que estava até um pouco esquecida nos Estados Unidos.
Qual é a explicação para o chamado “branco de memória”? Esquecer-se, por exemplo, do telefone de casa?
Pode ser muitas coisas, mas geralmente é por distração. Quando é um esquecimento mais sério, como o do aluno que estudou para o vestibular e não lembra nada no dia da prova, esse branco é causado pelo estresse. No estresse liberam-se grandes quantidades de corticóides secretados pela glândula supra-renal; eles inibem a evocação, atuando no hipocampo e na amígdala.
Pode ser muitas coisas, mas geralmente é por distração. Quando é um esquecimento mais sério, como o do aluno que estudou para o vestibular e não lembra nada no dia da prova, esse branco é causado pelo estresse. No estresse liberam-se grandes quantidades de corticóides secretados pela glândula supra-renal; eles inibem a evocação, atuando no hipocampo e na amígdala.
Comigo, ou com outras pessoas que de vez em quando são
cercadas por alunos ou por repórteres, o branco acontece quando sou
submetido a perguntas por muita gente ao mesmo tempo. Aí eu dou um
branco. É um ato defensivo.
Por que algumas pessoas têm ou dizem ter uma memória melhor para rostos e outras para nomes ou números?
Isso em geral se deve à prática. Os bancários são bons para números, os literatos são bons para palavras, os médicos são bons para rostos, para nomes. Os músicos são bons para música. Isso sem contar a situação de pessoas que apresentam alguns defeitos congênitos.
Isso em geral se deve à prática. Os bancários são bons para números, os literatos são bons para palavras, os médicos são bons para rostos, para nomes. Os músicos são bons para música. Isso sem contar a situação de pessoas que apresentam alguns defeitos congênitos.
Quem nasce com uma
visão não muito boa vai ser inferior para adquirir memórias visuais em
relação a uma pessoa sem essa limitação. Mas existe um certo sistema de
compensação nesses casos. Desenvolve mais a memória olfativa quem não
tem visão, por exemplo.
Gostaria que o senhor falasse um pouco sobre a questão de
os mais velhos evocarem as suas memórias de uma forma romanceada e,
muitas vezes, centrada nos melhores anos na juventude.
Há várias pontos nessa questão. Os velhos vão perdendo memórias porque morrem neurônios com o passar dos anos – e morrem as memórias que eles carregavam. Mas, ao mesmo tempo, vão formando muitas memórias mais. Cada dia que uma pessoa permanece viva, mais memórias vai tentar ter. Então, ela vai perder muitas memórias, mas vai ganhar outras.
Há várias pontos nessa questão. Os velhos vão perdendo memórias porque morrem neurônios com o passar dos anos – e morrem as memórias que eles carregavam. Mas, ao mesmo tempo, vão formando muitas memórias mais. Cada dia que uma pessoa permanece viva, mais memórias vai tentar ter. Então, ela vai perder muitas memórias, mas vai ganhar outras.
Pode ocorrer uma
confusão que é própria de quem tem muita informação para manusear, em
alguns casos maior, em outros menor. Esse é um aspecto da questão. Outro
é que a gente, no decorrer dos anos, começa a mudar as memórias, começa
a falsificá-las.
Tem um livro fantástico escrito por um grande
psicólogo norte-americano, Daniel Schacter, que se chama Os sete pecados capitais da memória. Ele conta como se falsifica a memória. A gente faz muito isso.
Mas quase sempre de forma inconsciente?
Sim,sim, geralmentede forma inconsciente. Minha mãe me confundia com um irmão dela, que era vagamente parecido comigo. Os dois eram homens na família, um era irmão, outro era filho… Então ela atribuía a mim coisas que meu tio tinha feito. Isso é muito comum nas pessoas em geral, e muito comum nas pessoas velhas em particular. Na verdade todo mundo faz isso.
Sim,sim, geralmentede forma inconsciente. Minha mãe me confundia com um irmão dela, que era vagamente parecido comigo. Os dois eram homens na família, um era irmão, outro era filho… Então ela atribuía a mim coisas que meu tio tinha feito. Isso é muito comum nas pessoas em geral, e muito comum nas pessoas velhas em particular. Na verdade todo mundo faz isso.
O senhor disse, numa entrevista, que o próprio evocar da memória acaba levando a uma certa perda de detalhes?
Talvez isso se deva ao fato de que a forma de extinguir memórias seja através da evocação. Evocando sem reforçar a evocação. Volto àquela história do guichê e do dinheiro. Você evoca a situação e vai lá, vai no guichê. Agora, quando você vai lá e não recebe o dinheiro, pois o guichê está fechado, é o momento em que você começa a extinguir essa memória. Para extinguir, precisa evocar.
Talvez isso se deva ao fato de que a forma de extinguir memórias seja através da evocação. Evocando sem reforçar a evocação. Volto àquela história do guichê e do dinheiro. Você evoca a situação e vai lá, vai no guichê. Agora, quando você vai lá e não recebe o dinheiro, pois o guichê está fechado, é o momento em que você começa a extinguir essa memória. Para extinguir, precisa evocar.
É um paradoxo?
É. Você precisa evocar e ver que a informação que você tinha não presta. Sem fazer essa experiência, é difícil extinguir a memória.
É. Você precisa evocar e ver que a informação que você tinha não presta. Sem fazer essa experiência, é difícil extinguir a memória.
A leitura é a melhor forma de preservar a memória?
Disparada, é a melhor forma. Não tem nada que chegue perto. Lendo, você exercita a memória visual, a memória verbal, a memória de outras línguas que você porventura conheça, a memória de sinônimos, a memória de imagens. Você lê a palavra árvore e passam infinitas imagens de árvores em sua cabeça.
Disparada, é a melhor forma. Não tem nada que chegue perto. Lendo, você exercita a memória visual, a memória verbal, a memória de outras línguas que você porventura conheça, a memória de sinônimos, a memória de imagens. Você lê a palavra árvore e passam infinitas imagens de árvores em sua cabeça.
A leitura é a que evoca mais tipos de memória, mais
formas de memória. Ler muito e ter bons níveis de escolaridade também
ajudam a prevenir ou minorar os sintomas do mal de Alzheimer. Para
aqueles que não têm vista para ler, ouvir alguém contar uma história é
ótimo para a memória. Famosos escritores cegos fizeram isso e funcionou
muito bem, como (o argentino Jorge Luis) Borges e o inglês John Milton.
O senhor deve ser um grande leitor de Borges, porque sempre o cita em suas entrevistas.
Leio muito Borges. Ele chamava muito a atenção para a memória. Borges escreveu um conto que é definitivo sobre a questão de que precisamos esquecer para poder aprender. O conto de chama Funes, o memorioso.
Leio muito Borges. Ele chamava muito a atenção para a memória. Borges escreveu um conto que é definitivo sobre a questão de que precisamos esquecer para poder aprender. O conto de chama Funes, o memorioso.
Funes era um indivíduo que tinha uma memória perfeita, decorrente
provavelmente de um acidente. Funes podia se lembrar de um dia inteiro
de sua vida. Mas, para fazê-lo, precisava novamente de um dia inteiro de
sua vida, durante o qual não podia fazer mais nada. Essa situação,
claro, era uma impossibilidade, uma demonstração, pelo absurdo, de que o
cérebro se satura.
Qual é a avaliação que o senhor faz dos estudos sobre a memória feitos no Brasil e no exterior?
Aqui, há poucos grupos, mas os que existem são bons, de nível internacional. Além do meu grupo que estuda a memória, talvez o maior do Brasil nesse campo de trabalho, há vários outros em Curitiba, São Paulo, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Fortaleza etc. Há agora um novo núcleo se instalando em Natal. Esse grupo vai ser chefiado em parte pelo pesquisador Sidarta Ribeiro (da Universidade de Duke), que, no momento, está nos Estados Unidos, mas está voltando.
Aqui, há poucos grupos, mas os que existem são bons, de nível internacional. Além do meu grupo que estuda a memória, talvez o maior do Brasil nesse campo de trabalho, há vários outros em Curitiba, São Paulo, Ribeirão Preto, Rio de Janeiro, Fortaleza etc. Há agora um novo núcleo se instalando em Natal. Esse grupo vai ser chefiado em parte pelo pesquisador Sidarta Ribeiro (da Universidade de Duke), que, no momento, está nos Estados Unidos, mas está voltando.
Recentemente ele publicou um artigo científico sobre a importância do sono para a formação da memória.
Se alguém formulou uma hipótese realmente interessante sobre esse tema, talvez tenha sido o Sidarta. Há ainda várias pessoas e muitos grupos nacionais, da psiquiatria ouneuropsicologia, que estudam a memória muito bem. Há 15 ou 20 anos, essa disciplina praticamente não existia no Brasil. Agora, cada dia aparece um grupo novo. A quantidade e a qualidade desses grupos me surpreendem.
Se alguém formulou uma hipótese realmente interessante sobre esse tema, talvez tenha sido o Sidarta. Há ainda várias pessoas e muitos grupos nacionais, da psiquiatria ouneuropsicologia, que estudam a memória muito bem. Há 15 ou 20 anos, essa disciplina praticamente não existia no Brasil. Agora, cada dia aparece um grupo novo. A quantidade e a qualidade desses grupos me surpreendem.
As outras áreas das neurociências também vão bem no Brasil?
Estão muito bem. Acho que, dentro das ciências no Brasil, as neurociências são um dos ramos que deram mais certo. Em São Paulo, há um grupo interessantíssimo no Instituto Ludwig de Pesquisa sobre Câncer, com o qual colaboramos. Eles estudam neuroquímica. Nós fazemos (com eles) muita coisa em comum sobre a memória. Esse grupo começou seus trabalhos muito depois dos demais, mas já é um dos grupos de ponta. Há vários grandes grupos de neuroquímica de primeiríssimo nível no Rio de Janeiro.
Estão muito bem. Acho que, dentro das ciências no Brasil, as neurociências são um dos ramos que deram mais certo. Em São Paulo, há um grupo interessantíssimo no Instituto Ludwig de Pesquisa sobre Câncer, com o qual colaboramos. Eles estudam neuroquímica. Nós fazemos (com eles) muita coisa em comum sobre a memória. Esse grupo começou seus trabalhos muito depois dos demais, mas já é um dos grupos de ponta. Há vários grandes grupos de neuroquímica de primeiríssimo nível no Rio de Janeiro.
O meu grupo mesmo está se diversificando. Já há várias pessoas
que são pesquisadores independentes. Tem o Frederico Graeff, da USP de
Ribeirão Preto, que tem uma turma grande trabalhando com ansiedade.
Existem muitos grupos, eu não gostaria de comentar nomes, porque a lista
é grande e correria o perigo de esquecer alguns, já que são tantos.
Por que as neurociências deram certo?
Porque… Talvez porque (nós, neurocientistas) éramos muitos entusiasmados e demos muita corda uns aos outros (risos). Eu, o Esper Cavalheiro, o Cícero Coimbra (ambos da Universidade Federal de São Paulo), o Roberto Lent, o Rafael Linden (ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro), o Luiz Roberto Giorgetti de Britto, o Menna Barreto (da Universidade de São Paulo) sempre nos demos muito bem.
Porque… Talvez porque (nós, neurocientistas) éramos muitos entusiasmados e demos muita corda uns aos outros (risos). Eu, o Esper Cavalheiro, o Cícero Coimbra (ambos da Universidade Federal de São Paulo), o Roberto Lent, o Rafael Linden (ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro), o Luiz Roberto Giorgetti de Britto, o Menna Barreto (da Universidade de São Paulo) sempre nos demos muito bem.
O senhor mencionou Natal. O senhor é a favor do projeto
do Instituto Internacional de Neurociências na capital do Rio Grande do
Norte?
Se conseguirem concretizar o instituto, pode ser uma magnífica iniciativa. Vai trazer gente de excelente nível e vão estar todos juntos, o que seria muito bom. Agora, eu fico um pouco com o pé atrás porque o Brasil é o país dos grandes projetos que depois não têm continuidade. Costumo dizer que a ciência no Brasil é mais ou menos como o Ayrton Senna no início de sua carreira: saía na frente, deixava todo mundo para trás, mas não terminava a corrida. Nós tivemos grandes projetos no Brasil.
Se conseguirem concretizar o instituto, pode ser uma magnífica iniciativa. Vai trazer gente de excelente nível e vão estar todos juntos, o que seria muito bom. Agora, eu fico um pouco com o pé atrás porque o Brasil é o país dos grandes projetos que depois não têm continuidade. Costumo dizer que a ciência no Brasil é mais ou menos como o Ayrton Senna no início de sua carreira: saía na frente, deixava todo mundo para trás, mas não terminava a corrida. Nós tivemos grandes projetos no Brasil.
O maior deles que não teve continuidade é o Pronex. O
Programa Nacional de Núcleos de Excelência durou dois editais. E ia ser
anual. Teve dois editais no primeiro ano, depois nunca mais. Agora, o
Pronex voltou, mas com uma forma extraordinariamente diminuída. Voltou
com um décimo do valor inicial. E alguns estados estão de fora do
edital, como o Rio Grande do Sul. O projeto do instituto de Natal é um
desafio.
Acho que vão conseguir alguma coisa do que eles propõem. Mas
não sei se tudo. Qualquer coisa que eles consigam vai ser mais do que
bem-vinda, vai ser um acréscimo importante. Eles propõem integrar a
iniciativa privada ao apoio das ciências. A iniciativa privada no Brasil
não tem o hábito de contribuir com a ciência.
Por que o senhor se naturalizou?
Por que me naturalizei? Porque me senti mais um da casa. Isso foi em 1981.
Por que me naturalizei? Porque me senti mais um da casa. Isso foi em 1981.
Mas o senhor se vê mais como argentino ou brasileiro?
É difícil definir porque as raízes nunca se perdem, mas elas se transformam muito tempo depois, em conseqüência do que cresceu em cima. Devo ser uma mistura, uma espécie de (rindo) Meligeni da ciência (o ex-tenista Fernando Meligeni nasceu na Argentina e se naturalizoubrasileiro).
É difícil definir porque as raízes nunca se perdem, mas elas se transformam muito tempo depois, em conseqüência do que cresceu em cima. Devo ser uma mistura, uma espécie de (rindo) Meligeni da ciência (o ex-tenista Fernando Meligeni nasceu na Argentina e se naturalizoubrasileiro).
Voltando a falar de memória, mas num outro sentido,
costuma-se dizer que o Brasil é um país sem memória, com amnésia social?
O senhor concorda com essa afirmação?
Isso é uma enorme característica brasileira, e um defeito grave. Ninguém se lembra do candidato em que votou para deputado estadual na eleição passada. Ninguém. Isso foi há menos de dois anos e ninguém se lembra. É um traço que, eu acho, permite se levar uma vida mais ligeira, aparentemente mais fácil. Mas, na verdade, é mais difícil, porque se tende a incorrer nos mesmos erros e a não dar importância a coisas devidas.
Isso é uma enorme característica brasileira, e um defeito grave. Ninguém se lembra do candidato em que votou para deputado estadual na eleição passada. Ninguém. Isso foi há menos de dois anos e ninguém se lembra. É um traço que, eu acho, permite se levar uma vida mais ligeira, aparentemente mais fácil. Mas, na verdade, é mais difícil, porque se tende a incorrer nos mesmos erros e a não dar importância a coisas devidas.
O brasileiro tende a levar tudo com um ar de superficialidade, o
que às vezes é bom. Durante uma festa, é bom. Mas na vida real… Veja,
temos 33% de miseráveis no país, segundo acaba de se tornar público.
Gente que ganha menos de R$ 79 por mês. Pergunte o que tem de
superficial e de divertido para esse pessoal? Nada. Nada é alegre nem
divertido na vida desse pessoal, porque não comem o suficiente, não têm o
suficiente para vestir.
Então esse ar de leveza é muito bom para
algumas coisas, mas não é bom para todas. E, quando chega ao nível das
coisas sérias,como fazer ciência e dar de comer ao povo, eu acho que é
melhor ter seriedade que leveza. A leveza do ser, como disse (o
escritor) Milan Kundera, acaba sendo insustentável.
fonte: revistapesquisa.fapesp.br
O amor, meu amor - Mia Couto
Nosso amor é impuro
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.
como impura é a luz e a água
e tudo quanto nasce
e vive além do tempo.
Minhas pernas são água,
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
as tuas são luz
e dão a volta ao universo
quando se enlaçam
até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar
depois de te abraçar para não sofrer.
E toco-te
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.
para deixares de ter corpo
e o meu corpo nasce
quando se extingue no teu.
E respiro em ti
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.
para me sufocar
e espreito em tua claridade
para me cegar,
meu Sol vertido em Lua,
minha noite alvorecida.
Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,
meus dentes beijam,
minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.
Pudesse eu ser tu
E em tua saudade ser a minha própria espera.
E em tua saudade ser a minha própria espera.
Mas eu deito-me em teu leito
Quando apenas queria dormir em ti.
Quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te
Quando ansiava ser um sonho teu.
Quando ansiava ser um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.
para em mim mesmo te plantar
menos que flor: simples perfume,
lembrança de pétala sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.
No livro “Idades cidades divindades”
sábado, 9 de julho de 2016
Ciência explica por que reclamar altera negativamente o cérebro
Ouvir alguém reclamar, mesmo que seja você mesmo, nunca
fez bem. Algumas pessoas dizem que reclamar pode agir como uma catarse,
uma maneira de descarregar emoções e experiências negativas. Mas olhar
com mais atenção ao que o ato de reclamar realmente faz para o cérebro
nos dá motivos reais para lutar por um estado de espírito mais positivo e
eliminar o mimimi de nossas vidas.
O cérebro é um órgão complexo que, de alguma forma, funciona em
conjunto com a consciência para criar a personalidade de um ser humano,
sempre aprendendo, sempre recriando e se regenerando. É ao mesmo tempo o
produto da realidade e o criador da realidade, e a ciência está
finalmente começando a entender como o cérebro cria a realidade.
Autor, cientista da computação e filósofo, Steven Parton examinou
como as emoções negativas na forma de reclamações, tanto expressas por
você mesmo ou vindas de outros, afetam o cérebro e o corpo, nos ajudando
a entender por que algumas pessoas parecem não conseguir sair de um
estado negativo.
Sua teoria sugere que a negatividade e a reclamação realmente alteram fisicamente a estrutura e função da mente e do corpo.
“Sinapses que disparam juntas, se mantém juntas”, diz Donald Hebb,
que é uma maneira concisa de compreender a essência da
neuroplasticidade, a ciência de como o cérebro constrói suas conexões
com base em tudo a que é repetidamente exposto. Negatividade e
reclamações irão reproduzir mais do mesmo, como essa teoria destaca.
Donald Hebb explica ainda:
O princípio é simples: em todo o seu cérebro há uma coleção de
sinapses (responsáveis por transmitir as informações de uma célula para
outra) separadas por espaços vazios chamados de fenda sináptica. Sempre
que você tem um pensamento, uma sinapse dispara uma reação química
através da fenda para outra sinapse, construindo assim uma ponte por
onde um sinal elétrico pode atravessar, carregando a informação
relevante do seu pensamento durante a descarga.
… toda vez que essa descarga elétrica é acionada, as sinapses se
aproximam mais, a fim de diminuir a distância que a descarga elétrica
precisa percorrer (…). O cérebro irá refazer seus próprios circuitos,
alterando-se fisicamente para facilitar que as sinapses adequadas
compartilhem a reação química e tornando mais fácil para o pensamento se
propagar.“
Além disso, a compreensão desse processo inclui a ideia de que as
ligações elétricas mais utilizadas pelo cérebro se tornarão mais curtas,
portanto, escolhidas mais frequentemente pelo cérebro. Isso explica
como a personalidade é alterada.
No entanto, como seres conscientes, temos o poder de modificar esse
processo, simplesmente ao nos tornarmos conscientes de como o jogo
universal da dualidade atua no momento em que surgem os pensamentos. Nós
temos o poder de escolher criar pensamentos conscientes de amor e
harmonia, garantindo, assim, que o cérebro e a personalidade sejam
positivamente alterados.
A empatia e o efeito em grupo
Vamos além do efeito que a reclamação tem sobre o próprio indivíduo. Essa linha de raciocínio científico se estende até a dinâmica entre duas pessoas, explicando cientificamente como a reclamação joga outras pessoas para baixo.
Vamos além do efeito que a reclamação tem sobre o próprio indivíduo. Essa linha de raciocínio científico se estende até a dinâmica entre duas pessoas, explicando cientificamente como a reclamação joga outras pessoas para baixo.
Assim, quando alguém derrama um caminhão de fofocas, de
negatividade e drama em cima de você, você pode ter certeza que está
sendo afetado bioquimicamente, diminuindo as suas chances ser feliz.
A exposição a esse tipo de explosão emocional realmente provoca
estresse. E já sabemos que o estresse mata. Portanto, reclamação e
negatividade podem contribuir seriamente para a sua morte precoce.
Parton refere-se a essa perspectiva como “a ciência da felicidade”, e
este comportamento de reclamação contínua oferece um estudo
propício para a ligação entre o poder do pensamento e a capacidade de
controle que uma pessoa pode ter sobre a criação de sua realidade
tridimensional.
“… Se você está sempre reclamando e menospreza o seu
próprio poder sobre a realidade, você não pensa que tem o poder de
mudar. E assim, você nunca vai mudar. “
Artigo extraído do site Terapeutas Quânticos e Holísticos , adaptado por WaysUP.
sexta-feira, 8 de julho de 2016
Vídeo : Pink Floyd - Wish You Were Here (Legendado)
Cenas do Filme; "Na natureza selvagem"
Boa reflexão ......
"Respeite o tempo.
Esteja em sintonia com ele.
Há um tempo de ouvir.
Há um tempo de falar.
Há um tempo de sentir.
Há um tempo de silenciar.
Há um tempo de fazer.
Há um tempo de descansar.
Há um tempo de deixar fluir.
Em todo o tempo há que viver.
Em todo o tempo há que amar.
Em todo o tempo temos que caminhar e seguir em frente.
Em todo o tempo é preciso agradecer.
Em todo o tempo é preciso respeitar.
Aprenda com o tempo.
Aceite o tempo e transcenda o tempo, pois no final das contas só existe o agora".
Carlos Humberto Soares Júnior
domingo, 3 de julho de 2016
Eu conheço um planeta onde há um
homem vermelho, quase roxo. Nunca cheirou uma flor. Nunca olhou uma
estrela. Nunca amou ninguém. Nunca fez outra coisa senão somas. E o dia
todo repete como tu: "Eu sou um homem sério! Eu sou um homem sério!" e
isso o faz inchar-se de orgulho. Mas ele não é um homem; é um cogumelo!
sábado, 2 de julho de 2016
Música : " Perhaps Love " - John Denver
“Talvez o Amor"
Música de John Denver
Ele existe para te dar conforto, ele está lá para te manter aquecido
E nas horas de turbulência, quando mais você está sozinho
A lembrança de um amor te levará para casa
Talvez o amor seja como uma janela, talvez uma porta aberta
Ele te convida a chegar mais perto, ele quer te mostrar mais
E mesmo que você se perca, e não saiba o que fazer
A lembrança de um amor fará você superar tudo
Ele te convida a chegar mais perto, ele quer te mostrar mais
E mesmo que você se perca, e não saiba o que fazer
A lembrança de um amor fará você superar tudo
Oh, o amor para alguns é como uma nuvem, para outros, tão forte quanto o aço
Para alguns um modo de vida, para outros uma forma de sentir
E alguns dizem que o amor é se agarrar, e outros dizem que é deixar ir
E alguns dizem que o amor é tudo, outros dizem que não sabem
Para alguns um modo de vida, para outros uma forma de sentir
E alguns dizem que o amor é se agarrar, e outros dizem que é deixar ir
E alguns dizem que o amor é tudo, outros dizem que não sabem
Talvez o amor seja como o oceano, cheio de conflitos, cheio de dor
Como uma lareira quando faz frio lá fora, como o trovão quando chove
E se eu vivesse para sempre, e todos os meus sonhos fossem realizados
Minhas lembranças de amor seriam de você
Como uma lareira quando faz frio lá fora, como o trovão quando chove
E se eu vivesse para sempre, e todos os meus sonhos fossem realizados
Minhas lembranças de amor seriam de você
E alguns dizem que o amor é se agarrar, e outros dizem que é deixar ir
E alguns dizem que o amor é tudo, outros dizem que não sabem
E alguns dizem que o amor é tudo, outros dizem que não sabem
Talvez o amor seja como o oceano, cheio de conflitos, cheio de dor
Como uma lareira quando faz frio lá fora, como o trovão quando chove
E se eu vivesse para sempre, e todos os meus sonhos fossem realizados
Minhas lembranças de amor seriam de você...
Como uma lareira quando faz frio lá fora, como o trovão quando chove
E se eu vivesse para sempre, e todos os meus sonhos fossem realizados
Minhas lembranças de amor seriam de você...
sexta-feira, 1 de julho de 2016
Saúde emocional: uma porta que só se abre de dentro para fora. Abra a porta! - Por Clara Dawn
A expressão “mente sã, corpo são” deve ser levada em conta, pois
mente e o corpo dialogam sobre a saúde e/ou as doenças de nossas
emoções.
Um exemplo simples desse diálogo é o modo como o corpo reage à
ansiedade: o coração parece aumentar de tamanho e logo surge uma
incômoda sensação de dor no peito; mãos e os pés tendem a ficar muito
frios ou suados. Estes sintomas aparecem porque a partir dos pensamentos
evocados por nossa mente colocamos o nosso corpo em funcionamento
negativo ou positivo de acordo com o que lhe é transmitido mentalmente.
Assim agimos: nosso corpo – um barquinho a vela – guiado por nossos
pensamentos – os ventos que chegam do Sul ou do Norte. Não se pode
evitar a rotação dos ventos, mas podemos controlar a vela rumo à morada
onde se vive.
Mas gente nem sempre vive onde mora. Por isso não importa o lugar
onde o corpo é habitante. Os pensamentos são a nossa casa e é neles que
vivemos ou deixamos de viver.
Há momentos em nossas vidas em que tudo, mas tudo mesmo, é
transformado em sofrimento. Às vezes, e não é raro, somos vitimistas
crônicos. E o corpo – o nosso pobre barquinho – fica à deriva – adoece
todo – às vezes morre. E que triste é conviver com um corpo morto. A
mente, receptora de pensamentos negativos, tenta sabotar o fato de ser a
assassina do corpo.
E dói.
E dói.
Dói.
Viver é um processo mental doloroso e não devemos jamais julgar aqueles que tentam (do seu jeito) amenizar a dor desse processo. Mas quase todas as coisas se pode aprender e apreender: lidar com os pensamentos autodestrutivos é uma delas.
Viver é um processo mental doloroso e não devemos jamais julgar aqueles que tentam (do seu jeito) amenizar a dor desse processo. Mas quase todas as coisas se pode aprender e apreender: lidar com os pensamentos autodestrutivos é uma delas.
Não transforme tudo em sofrimento. Repito isso sempre em meus
escritos, é de Drummond, “a dor é inevitável, o sofrimento não”. E para
não transformar tudo em sofrimento há algumas coisas que se pode fazer,
mas lembre-se: a saúde emocional é uma porta que só se abre de dentro
para fora.
Ignorar problemas psico emocionais é deixar que problemas físicos
desencadeiem. Não permita que isso aconteça. Abra a porta. De que jeito?
Que tal assim?:
Ouça músicas eruditas em silêncio, tire uns minutos para meditação
e/ou prece: você e o seu Poder Superior. Leia mais poesias e cante
quando não souber o que fazer, o que e como pensar. Adote para si uma
playlist de bons pensamentos (mantras, orações, versos, canções…) e
quando um pensamento negativo sobrevoar a sua cabeça, recorra a sua
playlist. Acredite, não há nada que adoeça mais o nosso corpo do que a
negatividade de nossa mente.
“Você não pode impedir que um pássaro sobrevoe a sua cabeça, mas pode impedi-lo de fazer ninho”.
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