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quarta-feira, 26 de julho de 2017

"Coma os morangos"


“Um sujeito estava caindo de um barranco e se agarrou às raízes de uma árvore. Em cima do barranco, havia um urso imenso querendo devorá-lo. O urso rosnava, mostrava os dentes, babava de ansiedade pelo prato que tinha à sua frente. Embaixo, prontas para engoli-lo quando caísse, estavam nada menos do que seis onças absolutamente famintas.
Ele erguia a cabeça, olhava para cima e via o urso rosnando.
Quando o urso dava uma folga, ouvia o urro das onças, próximas do seu pé.
As onças embaixo querendo comê-lo e o urso em cima querendo devorá-lo.
Em determinado momento, ele olhou para o lado esquerdo e viu um morango vermelho, lindo, com escamas douradas refletindo o sol.
Num esforço supremo, apoiou o seu corpo, sustentado pela mão direita, e, com a esquerda, pegou o morango.
Quando pôde olhá-lo melhor, ficou inebriado com a sua beleza. Então, levou o morango à boca e se deliciou com o sabor doce e suculento.
Foi um prazer supremo comer aquele morango tão gostoso.”
Talvez você pergunte: “Mas, e o urso?” 
Dane-se o urso, coma o morango! 
“E as onças?” Azar das onças. Coma o morango!
Relaxe, e viva um dia de cada vez! Coma o morango!

(Conto Zen)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A Deusa da Oportunidade

 Na mitologia grega, Kairós era chamado de o "deus da oportunidade" ele era o caçula de Zeus. Mais tarde, como sempre ocorre foi feita uma migração simbólica, e portanto foi "criada" a "deusa da oportunidade". A deusa era representada como uma jovem linda, de beleza hipnotizante e muito atraente com pés alados (asas nos pés), possuia ainda uma enorme trança estilo Rapunzel jogada para frente como um grande topete e completamente careca com pele escorregadia atrás. Diz a lenda que ao se aproximar da Deusa qualquer um completamente hipnotizado e atraído questionava:

"Qual é o teu nome?"
"Meu nome é Oportunidade!"


"Por que tens asas sobre teus pés?" "Para que eu possa desaparecer rapidamente."

"Por que beleza tão rara e estonteante?" "Para despertar o desejo e atração nos humanos"


"Por que tu tens um topete grande na frente da testa?" "Para que me possam me agarrar quando eu aparecer."


"Por que tu és careca e escorregadia na parte de trás?" "Depois que eu passar, ninguém mais consegue me pegar."

domingo, 9 de julho de 2017

"Indiferença" - O rato, a galinha, o porco e a vaca

 
Um rato, olhando pelo buraco na parede, vê o fazendeiro e sua esposa abrindo um pacote. Pensou logo no tipo de comida que haveria ali.
Ao descobrir que era uma ratoeira ficou aterrorizado.
Correu ao pátio da fazenda advertindo a todos:
– Há uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa!
- Cuidado com a ratoeira! Cuidado com a ratoeira!

A galinha, ouvindo os gritos, pediu que ficasse calado:
- Meu caro rato, sei que isso é um problema para você, mas não me afetará de maneira nenhuma ,portanto não faça tanto escândalo!

O rato foi conversar com o porco, que sentiu-se incomodado por ter seu sono interrompido.
- Há uma ratoeira na casa!
- Entendo sua preocupação, e estou solidário com você – respondeu o porco. – Portanto, garanto que você estará presente nas minhas preces esta noite; não posso fazer nada, além disso.

Mais solitário que nunca, o rato foi pedir ajuda à vaca.
- Meu caro rato, e o que eu tenho a ver com isso? Você já viu alguma vez uma vaca ser morta por uma ratoeira?
Vendo que não conseguia a solidariedade de ninguém, o rato voltou até a casa da fazenda, escondeu-se no seu buraco, e passou a noite inteira acordado, com medo que lhe acontecesse uma tragédia.

Durante a madrugada, ouviu-se um barulho: a ratoeira acabava de pegar alguma coisa!
A mulher do fazendeiro desceu para ver se o rato tinha sido morto. Como estava escuro, não percebeu que a armadilha tinha prendido apenas a cauda de uma serpente venenosa: quando se aproximou, foi mordida.

O fazendeiro, escutando os gritos da mulher, acordou e levou-a imediatamente ao hospital.
Ela foi tratada como devia, e voltou para casa.
Mas continuava com febre. Sabendo que não existe melhor remédio para os doentes que uma boa canja, o fazendeiro matou a galinha.

A mulher começou a se recuperar, e como os dois eram muito queridos na região, os vizinhos vieram visitá-los. Agradecido por tal demonstração de carinho, o fazendeiro matou o porco para poder servir aos seus amigos.

Finalmente, a mulher se recuperou, mas os custos com o tratamento foram muito altos. O fazendeiro enviou sua vaca ao matadouro, e usou o dinheiro arrecadado com a venda da carne para pagar todas as despesas.

O rato assistiu aquilo tudo, sempre pensando:
“Bem que eu avisei. Não teria sido muito melhor se a galinha, o porco e a vaca tivessem entendido que o problema de um de nós coloca todo mundo em risco?”

a.d. 
imagem: google

sábado, 24 de junho de 2017

O VELHO, O MENINO E O BURRO.

Fábula de Esopo

Era uma vez um casal que tinha um filho de dez anos e um burro. Decidiram viajar, trabalhar e conhecer o mundo. Assim, foram os três com seu burro. Ao passar por um povoado, todos comentaram : “Veja que menino mal educado; em cima do burro e os pobres pais, puxando as rédeas.” Então, a mulher disse a seu marido : Vamos permitir que essa gente fale mal do menino? E o marido resolveu. Tirou o menino e subiu ele no lombo do burro. 
E no segundo povoado, todos murmuravam : “Veja que tipo sem vergonha; Vai bem cômodo em cima do burro enquanto a mulher e o filho vão puxando as rédeas”. 
Então, tomaram a decisão de colocar a mulher no lombo do burro, enquanto pai e filho puxavam as rédeas. 
Ao passar pelo terceiro povoado, todos comentavam : “Pobre homem. Depois de trabalhar o dia todo, ainda tem que levar a mulher sobre o burro! E, pobre filho que espera dessa mãe!” 
Entraram então em um acordo e decidiram subir os três no lombo do burro para começar novamente sua peregrinação. Ao chegarem no povoado seguinte, todos comentavam : “São mesmo umas bestas, será que não vêm que podem quebrar a coluna do pobre animal.!” 
Por último, decidiram descer os três e caminharem junto ao burro. Porém ao passarem pelo povoado seguinte, ouviram todos sorridentes dizerem : “Vejam só estes três idiotas: caminham, quando têm um burro que poderia leva-los”.
 
Moral da história: Não importa como e nem como você faz; as pessoas sempre dirão alguma coisa.
 

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Após um naufrágio, o único sobrevivente agradeceu a Deus por estar vivo e ter conseguido se agarrar aos destroços, boiando até terra firme, em uma pequena ilha desabitada e fora de qualquer rota de navegação.
Com muita dificuldade e restos dos destroços, ele conseguiu montar um pequeno abrigo para se proteger do sol, da chuva e de animais e para guardar seus poucos pertences, agradecendo mais uma vez por sua boa sorte.
Nos dias seguintes, a cada alimento que conseguia caçar ou colher, ele agradecia.
No entanto, um dia, quando voltava de um passeio pela floresta, encontrou seu abrigo em chamas, envolto em altas nuvens de fumaça.
Terrivelmente desesperado, ele se revoltou. Gritava, chorando:
– O pior aconteceu! Perdi tudo! Deus, por que fizeste isso comigo?
Chorou tanto que adormeceu, profundamente cansado.
No dia seguinte, bem cedo, foi despertado pelo som de um navio que se aproximava.
– Viemos resgatá-lo, disseram.
– Como souberam que eu estava aqui? Perguntou ele.
– Nós vimos seu sinal de fumaça!


É comum nos sentirmos desencorajados e até desesperados quando as coisas vão mal. Mas Deus age em nosso benefício, mesmo nos momentos de dor e sofrimento.

Lembre-se: se algum dia o seu ÚNICO abrigo estiver em chamas, esse pode ser o sinal de fumaça que fará chegar até você a AJUDA DIVINA!



sábado, 18 de março de 2017

Há uma história da tradição judaica que revela o sentido da busca interior, do despertar do "Eu"...
“Por que estás tão irrequieto?”, perguntou o discípulo ao Rabino Sússia, ao vê-lo em seus momentos finais de vida.

“Tenho medo”, respondeu Sússia.
“Medo de quê, rabino?”.
“Medo do Tribunal Celeste”.

“Tu? Um homem tão piedoso, cuja vida foi exemplar? Se tu tens medo, imagine nós, cheios de defeitos e imperfeições.”

Rabino Sússia, então, diz: “Não temo ser inquerido por não ter sido como o profeta Moisés, não deixei um legado de seu porte. Eu posso me defender dizendo que eu não fui como Moisés porque eu não sou Moisés. 
Nem temo que me cobrem profecias como as de Maimônides, por eu não ter oferecido ao mundo a qualidade de sua obra e seu talento. Eu posso me defender dizendo que eu não fui como Maimônides porque eu não sou Maimônides. 
O que me apavora neste momento é que me venham indagar: ‘Sússia, por que não foste Sússia’?”

(A história do rabino Sussia foi contada na peça A alma imoral)

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Conto Zen: Buda e o Silêncio, os Anjos e as Palavras

"Quando Buda se tornou esclarecido no dia de Lua Cheia no mês de maio, ele manteve silêncio. Por uma semana inteira ele não disse uma só palavra.
A mitologia diz que todos os anjos no céu ficaram assustados e disseram: "Uma vez por milênio alguém floresce tão inteiramente como Buda. Agora ele está em silêncio, não está dizendo uma palavra!". 

Dizem que todos os anjos abordaram Buda e pediram-lhe que dissesse algo, por favor diga algo.
Buda disse: "Aqueles que sabem, sabem, mesmo sem minhas palavras, e aqueles que não sabem, não saberão por minhas palavras. Qualquer descrição da vida para um homem cego é sem utilidade. Aquele que não provou o gosto da ambrósia da existência, da vida, não há por que falar sobre isso com eles. Por isso estou em silêncio", ele disse. "Como você pode transmitir algo tão íntimo, tão pessoal? Palavras não podem."

Mas os anjos disseram: "Sim, nós concordamos, o que diz é verdade. Mas, Buda, considere aqueles que estão no limite. Há alguns poucos que estão no meio, nem completamente esclarecidos nem totalmente ignorantes. Para eles, algumas palavras darão um empurrão. Pelo bem deles, diga algo. E todas as suas palavras criarão aquele silêncio. O propósito das palavras é criar o silêncio. Se as palavras criam mais barulho, então elas não atingiram seu propósito."

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Chegando no céu...

Um homem muito rico morreu e foi recebido no céu. O anjo guardião levou-o por várias alamedas e foi lhe mostrando as moradias que ali existiam. Passaram por uma linda casa com belos jardins. O homem, admirado, perguntou:

- “Que linda casa, quem mora aí?”
O anjo respondeu:
- “É o Raimundo, aquele seu motorista que morreu no ano passado.”
O homem ficou pensando: Puxa! Se o Raimundo tem uma casa dessas, aqui deve ser muito bom!
Logo a seguir, surgiu outra casa, muito mais bonita, e ele perguntou mais admirado ainda:
- “E aqui, quem mora?”
O anjo respondeu:
- “Aqui é a casa da Rosalina, aquela que foi sua cozinheira.”
O homem ficou imaginando que se seus empregados tinham lindas casas, a sua seria, no mínimo, um palácio, e estava ansioso por vê-la.
Nisso, o anjo parou diante de um barraco construído com tábuas e disse:
- “Esta é a sua casa.”
O homem ficou indignado:
- “Como é possível? Vocês sabem construir coisa muito melhor!”
O anjo respondeu:
- “Sabemos, mas nós apenas construímos a casa. O material é selecionado e enviado por vocês mesmos. Você só enviou isso!”

domingo, 18 de dezembro de 2016

O Pequeno Príncipe e a Raposa


"Bom dia", disse a raposa.
- "Bom dia", o Pequeno Príncipe respondeu educadamente. "Quem é você? Você é tão bonita de se olhar."
- "Eu sou uma raposa", disse a raposa.
- "Venha brincar comigo", propôs o Pequeno Príncipe. "Eu estou tão triste."
- "Eu não posso brincar com você", a raposa disse. "Eu não estou cativada."
- "O que significa isso - cativar?"
- "É uma coisa que as pessoas freqüentemente negligenciam", disse a raposa. "Significa estabelecer laços." "Sim", disse a raposa. "Para mim você é apenas um menininho e eu não tenho necessidade de você. E você por sua vez, não tem nenhuma necessidade de mim. Para você eu não sou nada mais do que uma raposa, mas se você me cativar então nós precisaremos um do outro".

A raposa olhou fixamente para o Pequeno Príncipe durante muito tempo e disse:
- "Por favor cativa-me."
- "O que eu devo fazer para cativar você?", perguntou o Pequeno Príncipe.
- "Você deve ser muito paciente", disse a raposa. "Primeiro você vai sentar a uma pequena distância de mim e não vai dizer nada. Palavras são as fontes de desentendimento. Mas você se sentará um pouco mais perto de mim todo dia."

No dia seguinte o principezinho voltou.
- "Teria sido melhor voltares à mesma hora", disse a raposa. "Se tu vens por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens por exemplo a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos".

Então o Pequeno Príncipe cativou a raposa e depois chegou a hora da partida dele.
- "Oh!", disse a raposa. "Eu vou chorar".
- "A culpa é sua", disse o Pequeno Príncipe, "mas você mesma quis que eu a cativasse".
- "Adeus", disse o Pequeno Príncipe.
- "Adeus", disse a raposa. 

"E agora eu vou contar a você um segredo: nós só podemos ver perfeitamente com o coração; o que é essencial é invisível aos olhos. Os homens têm esquecido esta verdade. Mas você não deve esquecê-la. Você se torna eternamente responsável por aquilo que cativa."

O Pequeno Príncipe

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

A coragem de enfrentar seus medos




Diz uma antiga fábula que um camundongo vivia angustiado com medo do gato.
Um mágico teve pena dele e o transformou em gato. Mas aí ele ficou com medo de cão, por isso o mágico o transformou em pantera.
Então ele começou a temer os caçadores.
A essa altura o mágico desistiu. Transformou-o em camundongo novamente e disse:

- Nada que eu faça por você vai ajudá-lo, porque você tem apenas a coragem de um camundongo. É preciso coragem para romper com o projeto que nos é imposto. Mas saiba que coragem não é a ausência do medo, é sim a capacidade de avançar, apesar do medo; caminhar para frente e enfrentar as adversidades, vencendo-os…

domingo, 11 de setembro de 2016


A LENDA BUDISTA SOBRE OS GATOS

sábado, 3 de setembro de 2016

Quanto você vale afinal? Uma parábola sobre autoconfiança

Um dia, um sábio recebeu um jovem que lhe pediu um conselho:

— Mestre, venho porque me sinto tão inferiorizado que não tenho forças para fazer nada. Me dizem que não presto, que não faço nada direito, que sou desajeitado e tolo. O que faço para melhorar? O que devo fazer para que me deem mais valor?

E o mestre, se olhar, lhe disse:
Sinto muito, meu caro. Não posso ajuda-lo. Tenho de resolver primeiro meu próprio problema. Talvez depois...
E, após uma pausa, prosseguiu:
Mas, se quiser me ajudar, resolvemos o meu problema mais rápido e, depois, cuidamos do seu problema, se der tempo.
Ok, mestre, titubeou o jovem, mas sentindo que mais uma vez era valorizado, pois a solução de seus problemas seria postergada novamente. 

— Bem, -, disse o mestre. Tirou um anel que usava no dedo mínimo, deu ao discípulo e disse:
— Pegue o cavalo que está lá fora e vá até o mercado. Devo vender esse anel porque tenho de pagar uma dívida. Preciso que você obtenha por ele o maior valor que conseguir e não aceite como pagamento menos que uma moeda de ouro. Vá e volte com essa moeda o mais rápido que puder. O jovem pegou o anel e partiu. Chegou no mercado e começou a oferecê-lo aos mercadores, que olhavam a joia com algum interesse.

Porém, bastava ouvirem o preço do anel e, quando o jovem mencionava a moeda de ouro, uns riam, outros viravam a cara e somente um velhinho foi sincero e paciente o suficiente para explicar que uma moeda de ouro era muito por aquela joia. Alguém lhe ofereceu uma moeda de prata e uma moedinha de cobre, mas o jovem tinha instruções claras de que não poderia aceitar menos que uma moeda de ouro e recusou todas as ofertas.

Quanto quisera ter a moeda de ouro. A moeda! Ela liberaria o mestre de seu problema para, assim, ajudar o jovem. Triste, subiu em seu cavalo e voltou a seu guia.
Mestre — disse — sinto muito. Não consegui fazer o que você me pediu. Talvez pudesse obter duas ou três moedas de prata, mas não creio que possa enganar a ninguém a respeito do verdadeiro valor desse anel.

— Me disseste algo importante, meu jovem amigo — disse, sorrindo, o mestre. Devemos saber, antes de mais nada, o verdadeiro valor do anel. Volte ao cavalo e vá a um ourives. Quem melhor que ele para saber? Diga que quer vender o anel e pergunte quanto pagaria por ele. Mas, não importa quanto ofereça, não o venda. Volte com o anel!

E lá se foi o jovem.
Com sua lupa, o ourives examinou o anel à luz de uma lamparina, pesou a joia e respondeu:
Diga ao mestre, meu rapaz, que se quiser vender agora, não posso pagar mais que 58 moedas de ouro.

— 58 MOEDAS! — exclamou o jovem.
— Sim, respondeu o ourives. Com um pouco de tempo, poderíamos vendê-la por 70 moedas. Mas, se é urgente...
E o jovem voltou, emocionado e esbaforido, para contar a grande novidade.
Sente-se , disse calmamente, o mestre, após ouvir a história. Você é como um anel: uma joia única e valiosa. E, como tal, só um expert pode lhe avaliar

sexta-feira, 22 de julho de 2016

O Amor com A maiúsculo....

Eros, o Amor é filho de Penia ( A Falta) e Poros (A Criatividade). Portanto, o Amor verdadeiro possui essas duas qualidades. O amor, com a minúsculo, é narcisismo e idealização. O Amor, com A maiúsculo é desejo e criatividade. Pobres dos seres humanos que giram em falso, num círculo vicioso, a procura da sua Cara Metade. O Amor não mora nesse casebre ou nesse palácio. O Amor é dar o que não se tem.

domingo, 12 de junho de 2016

"Isto também passará" - Farid Ud Din Attar – Histórias da Terra dos Sufis


Um dervishe, depois de uma árdua e longa viagem através do deserto, chegou por fim à civilização. O povoado se chamava Colinas Arenosas e era quente e seco. Não havia muito verde, exceto feno para o gado e alguns arbustos. As vacas eram o principal meio de vida das pessoas de Colinas Arenosas. O dervishe perguntou educadamente a alguém que passava se havia algum lugar onde poderia encontrar comida e abrigo para aquela noite.
– Bem, disse o homem coçando a cabeça – não temos um lugar assim no povoado, mas estou certo de que Shakir ficará encantado de lhe brindar com sua hospitalidade esta noite.
Então o homem indicou o caminho da fazenda de propriedade de Shakir, cujo nome significa “o que agradece constantemente ao Senhor”.

No caminho até a fazenda, o dervishe parou perto de um pequeno grupo de anciões que estavam fumando cachimbo e eles confirmaram a direção. Eles disseram que Shakir era o homem mais rico da região.
Um dos homens disse que Shakir era dono de mais de mil vacas.

– E isso é maior do que a riqueza de Haddad, que vive no povoado ao lado.
Pouco tempo depois o dervishe estava parado em frente a casa de Shakir a admirando. Shakir, que era uma pessoa muito hospitaleira e amável, insistiu para que o dervishe ficasse por alguns dias em sua casa.
A mulher e as filhas de Shakir eram igualmente amáveis e deram o melhor para o dervishe. Inclusive, ao final de sua estadia, lhe deram uma grande quantidade de comida e água para sua viagem.

No seu caminho de volta para o deserto, o dervishe não conseguia parar de se perguntar o significado das últimas palavras de Shakir.
No momento da despedida o dervishe havia dito:

– Dê Graças a Deus pela riqueza que tens.
– Dervishe – havia respondido Shakir – não se engane pelas aparências, porque isto também passará.

Durante o tempo em que havia passado no caminho Sufi, o dervishe havia compreendido que qualquer coisa que ouvisse ou visse durante sua viagem lhe oferecia uma lição para aprender, e portanto, valia a pena considerá-la. Além de tudo, essa era a razão pela qual havia feito a viagem, para aprender mais.

As palavras de Shakir ocuparam seus pensamentos e ele não estava seguro de ter compreendido completamente o seu significado.
Quando estava sentado sob a sombra de um arbusto para rezar e meditar, recordou do ensinamento Sufi sobre guardar silencio e não se precipitar em tirar conclusões para finalmente alcançar a resposta. Quando chegasse o momento, compreenderia, já que havia sido ensinado a permanecer em silêncio e sem fazer perguntas. Para tanto, fechou a porta dos seus pensamentos e submergiu sua alma em um estado de profunda meditação.

E assim se passaram mais cinco anos, viajando por diferentes terras, conhecendo pessoas novas e aprendendo com suas experiências no caminho. Cada nova aventura oferecia uma lição a ser aprendida. Entretanto, como requeria o costume Sufi, permanecia em silêncio, concentrado nas ordens do seu coração.

Um dia, o dervishe voltou a Colinas Arenosas, o mesmo povoado onde havia passado alguns anos antes. Se lembrou de seu amigo Shakir e perguntou por ele.
– Está vivendo no povoado ao lado, a dez milhas daqui. Agora trabalha para Haddad – respondeu um homem do povoado.

O dervishe lembrou surpreendido que Haddad era o outro homem rico da região. Contente com a idéia de voltar a ver Shakir outra vez, se apressou para ir ao povoado vizinho. Na maravilhosa casa de Haddad, o dervishe foi bem recebido por Shakir, que agora parecia muito mais velho e estava vestido em andrajos.

– O que lhe aconteceu? – quis saber o dervishe.
Shakir respondeu que uma enchente três anos antes o havia deixado sem vacas e sem casa; assim ele e sua família se tornaram empregados de Haddad, que sobreviveu à enchente e agora desfrutava da posição de homem mais rico da região. Entretanto, esta alteração na sorte não havia mudado o caráter amistoso e atencioso de Shakir e de sua família.

Cuidaram amavelmente do dervishe na sua cabana durante os dois dias e lhe deram comida e água antes dele sair.
Na despedida, o dervishe disse:

– Sinto muito pelo que aconteceu com você e sua família. Mas sei é que Deus tem um motivo para aquilo que faz..
– Mas não se esqueça, isto também passará.

A voz de Shakir ressoou como um eco nos ouvidos do dervishe. O rosto sorridente do homem e seu espírito tranqüilo não abandonavam seu pensamento.
– O que ele quer dizer com esta frase desta vez?
O dervishe sabia agora que as últimas palavras de Shakir na sua visita anterior se anteciparam às mudanças que ocorrerem. Mas dessa vez, se perguntava o que poderia justificar um comentário tão otimista. Assim deixou a frase de lado outra vez, preferindo esperar pela resposta.

Passaram meses e anos, e o dervishe, que estava ficando velho, continuou viajando sem nenhuma intenção de parar.
Curiosamente, suas viagens sempre o levavam de volta ao povoado onde vivia Shakir. Assim sendo, demorou sete anos para voltar a Colinas Arenosas e Shakir estava rico outra vez. Agora vivia na casa principal da propriedade de Haddad e não na pequena cabana.

– Haddad morreu há dois anos – explicou Shakir – e, como não tinha herdeiro, decidiu deixar sua fortuna para mim como recompensa dos meus leais serviços.

Quando estava terminando sua visita, o dervishe se preparou para a viagem mais importante de sua vida: cruzaria a Arábia Saudita para fazer sua peregrinação a pé até Meca, uma antiga tradição entre seus companheiros. A despedida de seu amigo não foi diferente das outras vezes. Shakir repetiu sua frase favorita:
– Isto também passará.

Depois da peregrinação, o dervishe viajou à Índia. Ao voltar a sua terra natal, Pérsia, decidiu visitar Shakir mais uma vez para ver o que havia acontecido com ele. Assim, mais uma vez se pós em marcha para Colinas Arenosas. Mas em vez de de encontrar seu amigo Shakir, lhe mostraram uma humilde tumba com a inscrição “Isto também passará”. O dervishe ficou ainda mais surpreendido do que das outras vezes, quando o próprio Shakir havia pronunciado estas palavras.

– As riquezas vem e as riquezas se vão – pensou o dervishe – mas, como pode trocar um túmulo?
A partir de então o dervishe adquiriu o costume de visitar a tumba de seu amigo de tantos anos e passava algumas horas meditando na morada de Shakir. Entretanto, em uma de suas visitas o cemitério e a tumba haviam desaparecido, arrasados por uma enchente. Agora, o velho dervishe havia perdido o único vestígio deixado por um homem que havia marcado tão excepcionalmente as experiências de sua vida. O dervishe permaneceu durante horas nas ruínas do cemitério, olhando o chão fixamente. Finalmente, levantou a cabeça em direção ao céu e então, como se houvesse descoberto um significado mais elevado, abaixou a cabeça em sinal de confirmação e disse:
– Isto também passará.

Finalmente o dervishe ficou muito velho para viajar, decidindo se fixar e viver tranqüilo e em paz pelo resto de sua vida.
Os anos se passaram e o ancião se dedicava a ajudar a quem se acercava dele para os quais aconselhava e a compartilhar suas experiências com os jovens. Vinha gente de todas as partes para beneficiar-se de sua sabedoria. Finalmente, sua fama chegou até o grade conselheiro do rei, que casualmente estava buscando alguém com grande sabedoria.

O fato era que o rei desejava que lhe fizessem um anel. O anel teria de ser especial: devia ter uma inscrição de tal forma que quando o rei se sentisse triste, olhasse o anel e ficaria contente e se estivesse feliz, ao olhar o anel se entristeceria.

Os melhores joalheiros foram contratados e muitos homens e mulheres se apresentaram para dar sugestões sobre o anel, mas o rei não gostava de nenhuma. Então o conselheiro escreveu para o dervishe explicando a situação, pedindo ajuda e o convidando para ir ao palácio. Sem abandonar sua casa, o dervishe enviou sua resposta.

Poucos dias mais tarde, um anel foi feito com uma esmeralda e foi entregue ao rei. O rei, que havia estado deprimido por vários dias, mal o recebeu, botou o anel no dedo e olhando-o, deu um suspiro de decepção.
Logo começou a sorrir e, pouco depois, ria às gargalhadas.
No anel que usava estavam escritas as palavras “Isto também passará”.



domingo, 29 de maio de 2016

ISSO TAMBÉM PASSARÁ


Um poderoso rei, governante de muitos domínios, estava em tal posição de magnificência que os sábios eram simples servidores dele. Apesar disso, um dia sentiu-se confuso e chamou seus sábios e disse:

“Não sei o motivo, mas algo me impele a procurar um certo anel que me faça equilibrar meu estado de espírito. Preciso ter um tal anel, que deve ser aquele que me fará alegre quando eu me sentir infeliz, e que, ao mesmo tempo, ao olhá-lo, me faça triste quando eu me sentir feliz”.

Os sábios se consultaram e se colocaram em profunda contemplação. Finalmente chegaram a uma decisão quando às características do anel que serviria ao rei.

O anel que eles imaginaram era um sob o qual estava inscrita a frase: “Isto Também Passará”.

Esta é uma grande estória, grande porque tem sido usada por séculos pelos Sufis. E esta estória ajudou muita gente a chegar à iluminação. Não é uma estória comum; ela é aquilo que chamo de arte objetiva. 

É um instrumento; não só para a leitura e para o entretenimento, mas algo que deve se tornar seu próprio estilo de vida, e só então é que você poderá chegar a compreender seu significado.
Na superfície, ela é muito simples, qualquer pessoa pode entendê-la; não é necessária nenhuma inteligência especial. Mas se você refletir sobre ela, profundamente, então camadas cada vez mais profundas lhe serão reveladas, e a estória se tornará uma arma em sua mão.

Com ela você pode cortar o próprio nó da ignorância. É um instrumento muito poderoso, e uma vez compreendida, torna-se uma chave-mestra — para abrir a porta mais íntima do seu ser.

É um grande potencial, prenhe de significado profundo. Mas a pessoa precisa refletir a seu respeito, meditar intensamente sobre isso. A pessoa tem que fazer todo o esforço possível, com consciência, para encontrar o significado mais íntimo dela.

E só isso não ajudará muito; ajudará no início.
Mas se você quiser realmente entender a estória, terá que vivê-la. Terá que vivê-la — só então chegará a entender o que ela significa.

Osho.

domingo, 22 de maio de 2016

Túlipa, O Símbolo de Istambul

on 2012/05/17
 
Há quem pense que esta magnífica flor tem origem na Holanda, mas de facto a sua origem é Turca! O seu nome original lali mudou para Lale. O nome ocidental é derivado do nome Persa “Thouliban” que significa turbante.
Depois de crescer nos campos da Anatólia até ao séc. XVI, passou a ter um lugar proeminente nos jardins dos palácios Otomanos em Constantinopla.
O sultão Suliman, o magnífico organizou festas sumptuosas e onerosas todas as  primaveras em sua honra na noite de lua cheia. O livro mais antigo que fala dessas festas menciona 1588 tipos diferentes de túlipas já nessa época.
Nesse tempo, o comercio de tulipas era muito controlado e era proibida a sua exportação para fora da capital do império Otomano. No entanto em 1554, um botânico flamenco, na altura embaixador austríaco na Turquia, enviou alguns bolbos e sementes de tulipas para Viena onde tentaram plantá-las sem sucesso. Depois fizeram testes na Holanda em 1593 que é neste momento o maior produtor mundial desta flor.
Desde 2006, tornou-se o emblema da cidade de Istambul que celebra um festival anual dedicado às tulipas.

Assim que os turistas chegam ao aeroporto de Ataturk são imediatamente cativados pelos canteiros coloridos que podem observar pela avenida que segue ao longo da costa do Mar de Marmara.
De Eyüp a Sultanahmet, e também nas costas Europeia e Asiatica do Bosforo, e também por muitos outros bairros, as tulipas estão por todo o lado.
No entanto, o local mais encantador é sem duvida o parque de Emirgan que sempre foi conhecido pelas suas plantações. Num cenário idílico que combina o lago, árvores lindas e casas maravilhosas que em tempos serviram como casas de caça para os sultões, as tulipas são rainhas!
Vemo-las ao longe com as suas cores extravagantes a fazerem poses para as inúmeras câmaras que tiram fotografias de todos os ângulos.
No primeiro festival das tulipas, mais de 3 milhões de bolbos foram plantados. Este ano mais de 11 milhões de tulipas de todos os géneros dão maior beleza a Istambul.

sábado, 14 de maio de 2016

Lenda Hindu



Conta uma velha lenda hindu que outrora todos os homens eram deuses, mas abusaram de tal modo da sua natureza divina que Brahma, o Senhor dos deuses, decidiu retirar-lhes esse poder divino e escondê-lo em lugar onde lhes fosse impossível encontrá-lo. O problema, contudo, era encontrar esse esconderijo. 

Brahma convocou, pois, todos os deuses menores a fim de resolver este problema, e a sugestão que eles lhe deram foi enterrar a divindade do homem bem no fundo da terra. Mas Brahma respondeu-lhes que isso não seria suficiente pois o homem escavaria a terra e acabaria por reencontrar a sua natureza divina. Então os deuses sugeriram que se atirasse para o fundo do mar a natureza divina do homem. E de novo Brahma lhes respondeu que, mais tarde ou mais cedo, o homem exploraria as profundezas do mar e a recuperaria. Os deuses menores já não sabiam que outros lugares poderiam existir, quer na terra quer no mar, onde o homem não conseguisse chegar um dia. 

Então Brahma disse: “Vamos fazer o seguinte com a natureza divina do homem: vamos escondê-la bem no fundo de si mesmo, pois será esse o único lugar onde o homem nunca a irá procurar. ”E desde esse dia, segundo conta a lenda, o homem tem percorrido e explorado o mundo, subido às montanhas mais altas e descido às grandes profundezas da terra e do mar, sempre à procura do que está dentro de si próprio.”

sexta-feira, 29 de abril de 2016

A RAPOSA E O PRÍNCIPE


E foi então que apareceu a raposa:

__Bom dia, disse a raposa.
__Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
__Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
__Sou uma raposa, disse a raposa.
__Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
__Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
__Ah! desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão, acrescentou:
__Que quer dizer "cativar"?
__Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
__Procuro os homens, disse o principezinho. Que quer dizer "cativar"?
__Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também.
É a única coisa interessante que eles fazem. Tu procuras galinhas?
__Não, disse o principezinho. Eu procuro amigos. Que quer dizer "cativar"?
__É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços...".
__Criar laços?
__Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
__Começo a compreender, disse o principezinho... Existe uma flor... Eu creio que ela me cativou...
__É possível, disse a raposa. Vê-se tanta coisa na Terra...
__Oh! não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
__Num outro planeta?
__Sim.
__Há caçadores nesse planeta?
__Não.
__Que bom. E galinhas?
__Também não.
__Nada é perfeito, suspirou a raposa.


Mas a raposa voltou à sua ideia:
__Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca,como se fosse música. E depois, olha! Vês lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...


A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
__Por favor... cativa-me! disse ela.
__Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas
a conhecer.
__A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
__Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
__É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei para o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
 

No dia seguinte o principezinho voltou.
__Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade!

Antoine de Saint-Exupéry

domingo, 27 de setembro de 2015

CONTO : "O DOMADOR DE ELEFANTES"


Esta história aconteceu há muito tempo. E quem contou, foi um velho sacerdote budista. No antigo vilarejo de Carvásti, próximo ao sagrado rio Ganges, o rei anunciou a todos que precisava – com urgência – de um domador de elefantes.
 
Sougraha, homem forte e corajoso, logo se apresentou. Ele era mestre nessa arte!
– Conheço três maneiras seguras de domesticar um elefante. A primeira delas, é com argolas de prata, disse o domador, seguro de suas habilidades.

– Tudo bem, aceito a sua ajuda, respondeu a majestade. Venha amanhã, depois da prece. O animal mais bravo que possuo estará lhe aguardando. Se conseguir amansá-lo, terá uma grande recompensa!

Sougraha despediu-se mas, antes que chegasse à rua, um servo lhe dirigiu algumas ofensas. Nervoso, o domador feriu gravemente o rapaz e foi levado, preso, ao rei, que o perguntou:
– O que houve, corajoso jovem?
Sougraha, envergonhado, sussurrou:
– Ao sair da conferência com o senhor, fui abordado por um servo que, duvidando de minhas potencialidades, me agrediu verbalmente. Eu não suportei ouvir aquilo e o feri.

O rei, surpreso com a atitude do rapaz que lhe tinha inspirado tanta confiança, retrucou:
– Como você pretende domesticar um elefante bravo, se não é capaz de conter a fera raivosa que vive dentro de ti? 

Aprende, primeiro, a dominar os teus impulsos, o teu gênio, a tua cólera. Ficará preso e está dispensado do serviço.

(a.d)

sábado, 26 de setembro de 2015

"RECOMEÇOS"


Numa noite de 1914, o laboratório de Thomas Edison, que valia mais de US$ 2 milhões na época e não estava no seguro, começou a incendiar-se, com todos os preciosos registros de Edison em seu interior.
 
No auge do incêndio, enquanto os bombeiros tentavam apagar o fogo, Charles, filho de Edison, freneticamente procurava o Pai, que tinha o hábito de trabalhar até tarde da noite.
Aliviado, ele encontrou Edison fora do laboratório, fitando serenamente a cena. 

O semblante de seu pai refletia o brilho das chamas e seus cabelos grisalhos esvoaçavam ao sabor da leve brisa.
Charles sentiu um aperto no coração vendo o pai, com 67 anos, testemunhar o trabalho de toda uma vida ser consumido pelas cinzas. 

Após horas de silêncio. Edison disse a seu filho:
– Existe um grande valor num desastre como este. Todos os nossos erros são queimados. Graças a Deus, podemos começar tudo de novo. 

E Edison, de fato, começou de novo. Até o incêndio ele tinha passado três anos tentando inventar o toca discos.
Três semanas após o desastre ele conseguiu.

(a.d)
 

(Imagem : arquivo pessoal; O Título do texto "Recomeços" foi dado por este blog por questões de arquivo, se alguém souber o autor, favor informar para darmos os créditos).